Caros Leitores, desde a sua criação o Blog Xapuri News, o intuito sempre foi de ser mais um espaço democrático de noticias e variedades, diretamente da Princesinha do Acre - Terras de Chico Mendes - para o mundo, e passará momentaneamente a ser o instrumento de divulgação das Ações da Administração, Xapuri Nossa Terra, Nosso Orgulho, oque jamais implicará em mudança no estilo crítico das postagens.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Oração Do Pai-nosso

Escrito por Versão de Frei Betto
Pai-nosso que estais no céu, e sois nossa Mãe na Terra, amorosa orgia trinitária, criador da aurora boreal e dos olhos enamorados que enternecem o coração, Senhor avesso ao moralismo desvirtuado e guia da trilha peregrina das formigas do meu jardim,

Santificado seja o vosso nome gravado nos girassóis de imensos olhos de ouro, no enlaço do abraço e no sorriso cúmplice, nas partículas elementares e na candura da avó ao servir sopa,

Venha a nós o vosso Reino para saciar-nos a fome de beleza e semear partilha onde há acúmulo, alegria onde irrompeu a dor, gosto de festa onde campeia desolação,

Seja feita a vossa vontade nas sendas desgovernadas de nossos passos, nos rios profundos de nossas intuições, no vôo suave das garças e no beijo voraz dos amantes, na respiração ofegante dos aflitos e na fúria dos ventos subvertidos em furacões,

Assim na Terra como no céu, e também no âmago da matéria escura e na garganta abissal dos buracos negros, no grito inaudível da mulher aguilhoada e no próximo encarado como dessemelhante, nos arsenais da hipocrisia e nos cárceres que congelam vidas.

O pão nosso de cada dia nos dai hoje, e também o vinho inebriante da mística alucinada, a coragem de dizer não ao próprio ego e o domínio vagabundo do tempo, o cuidado dos deserdados e o destemor dos profetas,

Perdoai as nossas ofensas e dívidas, a altivez da razão e a acidez da língua, a cobiça desmesurada e a máscara a encobrir-nos a identidade, a indiferença ofensiva e a reverencial bajulação, a cegueira perante o horizonte despido de futuro e a inércia que nos impede fazê-lo melhor,

Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido e aos nossos devedores, aos que nos esgarçam o orgulho e imprimem inveja em nossa tristeza de não possuir o bem alheio, e a quem, alheio à nossa suposta importância, fecha-se à inconveniente intromissão,

E não nos deixeis cair em tentação frente ao porte suntuoso dos tigres de nossas cavernas interiores, às serpentes atentas às nossas indecisões, aos abutres predadores da ética,

Mas livrai-nos do mal, do desalento, da desesperança, do ego inflado e da vanglória insensata, da dessolidariedade e da flacidez do caráter, da noite desenluada de sonhos e da obesidade de convicções inconsúteis,

Amemos.

Frei Betto é escritor e assessor de movimentos sociais. Autor de 53 livros, editados no Brasil e no exterior, ganhou por duas vezes o prêmio Jabuti (1982, com "Batismo de Sangue", e 2005, com "Típicos Tipos – perfis literários"), o prêmio Juca Pato (1982, por sua obra "Fidel e a religião") e, em 1988, seu livro "A noite em que Jesus nasceu" recebeu o prêmio de "Melhor Obra Infanto-Juvenil".

O meio ambiente em 2009: perspectiva

Escrito por Rogério Grassetto Teixeira da Cunha, Danilo Pretti Di Giorgi e Rodolfo Salm
Como já é tradição nas primeiras edições do ano do Correio, faremos aqui uma tentativa de prever, em linhas gerais, como será 2009 sob o ponto de vista ambiental. Dada sua importância, a crise financeiro-econômica será fundamental neste ano que se inicia e, como já vem acontecendo, deve pautar também os acontecimentos relativos ao meio ambiente.

Não há consenso entre os ambientalistas sobre seus principais efeitos: parte de nós considera que a crise será benéfica ao meio ambiente, uma vez que a diminuição da atividade industrial, da produção do agronegócio e, conseqüentemente, a menor demanda por energia poderiam reduzir a aceleração da degradação ecológica do planeta. Isso já vem se verificando, por exemplo, na redução do crédito, que emperra as obras das polêmicas usinas hidrelétricas no rio Madeira, em Rondônia, e na crise que já afeta o setor madeireiro da região Norte. Porém, a crise também deve trazer aspectos negativos ao meio ambiente.

Com recursos minguando, governos podem investir menos na pauta ambiental. E isso vale tanto para dinheiro público no Brasil quanto para financiamentos externos. Mais: cidadãos e empresas podem ficar menos propensos a doar dinheiro para projetos ligados à questão.

Outra conseqüência negativa ocorrerá se os governos de países desenvolvidos começarem a usar a desculpa da recessão para justificar a definição de metas mais brandas para a próxima fase do Protocolo de Kyoto, que estarão em pauta durante o ano, com as discussões preparatórias para a próxima conferência sobre o clima, no fim do ano em Copenhagen. Alguns líderes europeus já usaram a crise para justificar o descumprimento das metas já traçadas do acordo, que expira em 2012 (aliás, praticamente nenhum dos países signatários cumprirá as metas). Se os efeitos da crise se mostrarem mais intensos nos países em desenvolvimento, em áreas mais remotas pode haver um aumento dos desmatamentos e da caça, como mecanismo de sobrevivência das populações menos favorecidas.

Por outro lado, é possível (e assim esperamos que aconteça) que os problemas de financiamento que atingem as usinas do Madeira cheguem também à hidrelétrica de Belo Monte, no Xingu. Além disso, com a crise e, provavelmente, com a conseqüente queda no crescimento da demanda por energia elétrica, as discussões devem esfriar, ao menos temporariamente, espantando o fantasma de Belo Monte por alguns anos. Mas é preciso estar sempre alerta, porque não vão desistir até represarem todos os grandes rios do Brasil. Na verdade, do mundo.

O cenário para o agronegócio deve ser de redução temporária na produção, com conseqüente queda nas taxas de desmatamento, tudo isso devido à recessão nas economias dos grandes compradores de commodities agrícolas. Com menos dinheiro, a composição da dieta das pessoas muda. Resumidamente, corta-se carne, o item normalmente mais caro.

Isso evidentemente afeta a produção pecuária, além de prejudicar as vendas de milho e soja, principais vegetais usados nas rações. É previsível que o ministro Minc aproveite-se desta situação e atribua, assim como fez Marina Silva, as reduções nos desmatamentos principalmente às ações do ministério e ignore estes fatores conjunturais.

Com relação a tragédias como a de Santa Catarina, é certo que ocorrerão no futuro. Não se sabe onde nem quando, mas há risco de eventos semelhantes em inúmeras áreas localizadas na faixa litorânea que vai de Santa Catarina ao Espírito Santo. Há uma feição geográfica que domina toda esta região, uma cadeia de montanhas paralela à costa. Apesar de mudar de nome (Serra do Mar, Serra dos Órgãos, Serra de Paranapiacaba, Serra da Graciosa, entre outras), trata-se sempre basicamente da mesma serra, com alta pluviosidade, causada pela barreira formada à dispersão da umidade que vem do mar. Some a isto o fato de as encostas serem íngremes, adicione ainda sua ocupação desordenada, desmatamento e, possivelmente, aumento da freqüência de eventos climáticos extremos como conseqüência do aquecimento global. O resultado dessa equação dificilmente pode ser muito animador.

Este ano foi Santa Catarina e parte do Rio de Janeiro e Espírito Santo, ano passado foi Petrópolis, diversas vezes Cubatão ou Caraguatatuba. Quem será o próximo? É uma questão complexa que modelos computacionais de situações de risco, considerando as alterações climáticas relacionadas ao efeito estufa, poderiam ajudar a responder. Mas que vai além do poder de previsão dos autores desta coluna.

No mais, podemos prever com toda certeza que Minc irá manter-se tranqüilo no cargo, uma vez que incomoda muito menos os interesses dos poderosos do que sua antecessora, que caiu devido exatamente a seus posicionamentos contrários a esses interesses. E que fará muitas aparições espetaculares na mídia, dirá frases de efeito a torto e a direito (enquanto que nos bastidores se entende muito bem com figuras como o mega-sojicultor e governador do Mato Grosso Blairo Maggi), emitirá opiniões e recuará de suas posições diversas vezes, assim como quem troca de coletes.

Mas, independentemente da atuação do ministro, é certo que o tema meio ambiente continuará mobilizando mentes e corações em 2009 e nos anos seguintes, cada vez de forma mais intensa.

A crise representa uma grande oportunidade para reflexões. Mas não acreditamos que isso apareça com destaque na mídia. As TVs, revistas e grandes jornais vão continuar a clamar pelo crescimento a qualquer custo da atividade econômica convencional. Por outro lado, sites e jornais alternativos continuarão, cada vez mais, a ganhar peso e reconhecimento. O dilema entre preservar o que resta e manter o nível de produção e, conseqüentemente, de emprego, fatores que inevitavelmente estão sempre ligados, vai continuar a desafiar a humanidade, em busca de uma saída desse labirinto em que nos metemos e do qual a luz da saída ainda se apresenta com um brilho pálido. E esperamos que as alternativas ao modelo econômico moribundo sejam mais debatidas que nos últimos anos, quando grande parte da "esquerda intelectual" brasileira manteve-se de olhos fechados para a problemática ambiental, confiando no lastro de Marina Silva herdado de sua origem política, que, entre outras qualidades, é associada a Chico Mendes.

Apesar de a ex-ministra ter emprestado o nome do herói ambientalista à manobra de desmembramento do IBAMA (que ironicamente facilitará a concessão de licenças ambientais para as grandes obras e que por sua vez eram objeto de combate do seringueiro), continuamos simpáticos a sua pessoa. Continuaremos a ler assiduamente seus artigos de segunda-feira na Folha de S. Paulo e esperamos que em 2009 ela se posicione mais firmemente contra os erros do governo do qual fez parte e lidere assim a denúncia da farsa que se arma em torno da questão amazônica, o principal problema ambiental brasileiro pelo qual nossa sociedade será (tristemente) lembrada por todo o futuro da humanidade. Aos nossos leitores, um feliz 2009 e que a necessária e provavelmente compulsória redução no poder de compra e consumo não nos seja sofrida (acreditamos e esperamos que na verdade seja educativa e indicadora de novos caminhos).

Rogério Grassetto Teixeira da Cunha, biólogo, é doutor em Comportamento Animal pela Universidade de Saint Andrews.

Danilo Pretti Di Giorgi é jornalista.

Rodolfo Salm, PhD em Ciências Ambientais pela Universidade de East Anglia, é professor da Universidade Federal do Pará.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Deletando Fantasmas

Para você caro leitor que como eu não agüenta mais falar em Vanderley Viana, ou quaisquer outro político de Xapuri, ou ainda de como ficou a prefeitura ou vai ficar daqui pra frente. Aí vai algo para amenizar a situação e descontrair e Bom Dia a todos!!!

Uniforme de alunos das escolas públicas estaduais será padronizado

Malharias devem começar a produzir novo modelo ainda esta semana
Uniforme, diferenciado nas cores da gola e detalhe da manga para cada nível de ensino, será adotado em todas as escolas públicas do Estado. (Foto SEE) O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Educação (SEE), divulga o novo modelo dos uniformes escolares da rede pública de ensino. A mudança cria uma identificação visual para os alunos das escolas estaduais, ao mesmo tempo em que diminui os custos do vestuário obrigatório. As camisetas serão brancas, com a bandeira do Acre do lado esquerdo, onde também constará o nome da escola.

A diferença estará nas cores usadas para cada nível de ensino. As crianças do ensino fundamental de 1ª a 4ª série terão a gola na cor amarela. Os uniformes dos estudantes de 5ª a 8ª série terão os detalhes em verde e os do ensino médio, em vermelho.

Mas os pais não precisam comprar o novo uniforme imediatamente. Jean Mauro, diretor de Gestão da SEE, explica que os antigos uniformes continuarão valendo. "Os dois poderão ser usados sem problema", garante.

Em todo o Estado, estão matriculados na rede estadual de ensino em torno de 160 mil alunos. Nas escolas do interior, os uniformes com o novo desenho também serão adotados.

Depois ainda falam que é somente em Xapuri que essas coisas acontecem!!!

O gabinete do novo prefeito de Bujari, João Edvaldo Teles de Lima, o popular Padeiro, foi improvisado em seu primeiro dia de trabalho. Ele despachou debaixo de uma árvore próximo ao prédio da prefeitura porque seu antecessor, Michel Marques (PT) esqueceu de mandar limpar as fezes que estavam espalhadas na sala de trabalho.

A equipe do novo prefeito denunciou na manhã desta sexta-feira, 2, que vários móveis e equipamentos sumiram da prefeitura. Por conta disso um boletim de ocorrência foi registrado na delegacia de policia do município, dando conta de computadores foram subtraídos da sede do poder municipal. Nos locais onde eles estavam ficaram apenas as impressoras.

Por conta dos desmandos deixados por Michel o novo prefeito enviou documento as agencias bancarias pedindo a suspensão de qualquer pagamento por meio de cheques da prefeitura de Bujari. Na segunda-feira o prefeito Padeiro informará, através de documentos, como recebeu o patrimônio municipal.

Da redação ac24horas
Rio Branco, Acre

PRF registra Ano Novo com menos acidentes, mortos e feridos nas estradas de Rondônia e Acre

Iniciada à zero hora do dia 29/12/2008, chega ao fim a "Operação Ano Novo" da Polícia Rodoviária Federal nos estados de Rondônia e Acre. Contrariando a expectativa de aumento que existia devido aos elevado registro de imprudências durante o Natal, os trabalhos realizados pela PRF aliados a maior conscientização dos motoristas, resultaram numa redução significativa nos números de acidentes feridos e mortos registrados durante a operação Natal deste ano.

Operação Natal 2008 - 78 acidentes, 59 feridos e 08 mortes
Operação Ano Novo 2008/2009 - 24 acidentes, 27 feridos e 01 morte.

Embora os números sejam satisfatórios a Polícia Rodoviária Federal alerta que o hábito dos condutores de não manterem distância segura em relação ao veículo à sua frente, o excesso de velocidade e a falta de atenção ainda continua fazendo vitimas. O acidente mais grave foi registrado no dia primeiro, no município de Epitaciolandia/AC, no Km 183, da BR 317/AC, às 20H45, tendo o ciclista falecido no local. Segundo o relato do motorista do Astra, o ciclista encontrava parado no meio da pista, na saída de uma curva, ainda tentou desviar, mas como vinha veículos no sentido contrario não teve como faze-lo, colhendo o ciclista de cheio e logo em seguida, outro veículo que vinha atrás ainda passou por cima do corpo.
Foram 308 motoristas autuados por infração de trânsito nos 4.700 quilômetros de rodovias federais, 42 documentos retidos por irregularidades, 19 CNHs recolhidas, 32 veículos retidos e 04 auxílios prestados a usuários.

Combate a criminalidade
Foram 02 veículos recuperados, 23 quilos de cocaína apreendidos, 12 m³ de madeiras sendo transportadas irregularmente, 17 pessoas detidas, sendo 8 por tráfico de entorpecentes, 01 por roubo/furto de veículos, 03 por descaminho, 04 por crime de trânsito e 01 por crime ambiental.
A PRF matem o alerta para o período de chuva em nossa região e a expectativa agora é manter o rigor na fiscalização.

Fonte: Assessoria de Comunicação da PRF

Reforma da Lingua Portuguesa... Eta dor de cabeça

As novas regras da língua portuguesa estão valendo desde 1. de janeiro e ainda não respeitei nenhuma regra, e acho que lá vou eu bater a minha dura cabecinha para entrar no ritmo de mudança.

Mudanças incluem fim do trema e mudaou entre 0,5% e 2% do vocabulário brasileiro.

Confira abaixo quais são as principais mudanças.

Não se usará mais:
1. quando o segundo elemento começa com s ou r, devendo estas consoantes ser duplicadas, como em "antirreligioso", "antissemita", "contrarregra", "infrassom". Exceção: será mantido o hífen quando os prefixos terminam com r -ou seja, "hiper-", "inter-" e "super-"- como em "hiper-requintado", "inter-resistente" e "super-revista"
2. quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente. Exemplos: "extraescolar", "aeroespacial", "autoestrada"

TREMA
Deixou de existir, a não ser em nomes próprios e seus derivados

ACENTO DIFERENCIAL
Não se usará mais para diferenciar:
1. "pára" (flexão do verbo parar) de "para" (preposição)
2. "péla" (flexão do verbo pelar) de "pela" (combinação da preposição com o artigo)
3. "pólo" (substantivo) de "polo" (combinação antiga e popular de "por" e "lo")
4. "pélo" (flexão do verbo pelar), "pêlo" (substantivo) e "pelo" (combinação da preposição com o artigo)
5. "pêra" (substantivo - fruta), "péra" (substantivo arcaico - pedra) e "pera" (preposição arcaica)

ALFABETO
Passou a ter 26 letras, ao incorporar as letras "k", "w" e "y"

ACENTO CIRCUNFLEXO
Não se usará mais:
1. nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos "crer", "dar", "ler", "ver" e seus derivados. A grafia correta será "creem", "deem", "leem" e "veem"
2. em palavras terminados em hiato "oo", como "enjôo" ou "vôo" -que se tornam "enjoo" e "voo"

ACENTO AGUDO
Não se usará mais:
1. nos ditongos abertos "ei" e "oi" de palavras paroxítonas, como "assembléia", "idéia", "heróica" e "jibóia"
2. nas palavras paroxítonas, com "i" e "u" tônicos, quando precedidos de ditongo. Exemplos: "feiúra" e "baiúca" passam a ser grafadas "feiura" e "baiuca"
3. nas formas verbais que têm o acento tônico na raiz, com "u" tônico precedido de "g" ou "q" e seguido de "e" ou "i". Com isso, algumas poucas formas de verbos, como averigúe (averiguar), apazigúe (apaziguar) e argúem (arg(ü/u)ir), passam a ser grafadas averigue, apazigue, arguem

GRAFIA
No português lusitano:
1. desaparecerão o "c" e o "p" de palavras em que essas letras não são pronunciadas, como "acção", "acto", "adopção", "óptimo" -que se tornam "ação", "ato", "adoção" e "ótimo"

E ai, vamos para o banco da escola....

“Mexeu com você, mexeu comigo!”, será mesmo?

Percebi ultimamente que a TV brasileira está recheada de inutilidades, porcarias e coisas do gênero. Mas
uma das que mais me chama a atenção o programa sensacionalista “Márcia” que é
exibido pela rede Bandeirantes e apresentado por Márcia Goldshimit.

A apresentadora (leia-se rainha do barraco) veste roupas espalhafatosas, fala
alto e pensa ser a diva da televisão brasileira. Quando está apresentando, ela
manipula perguntas para obter as respostas que deseja e acha que o polígrafo
resolve todo e qualquer problema.

E o que falar das sessões de segredos? Certo dia, estava eu passando os canais e
acabei parando na Band, a Márcia falava de um grande, escabroso, tenebroso, from
hell segredo de certa mulher, depois de merchans e indagações circulares que
duraram o programa inteiro, era a hora da revelação, o marido já estava em
pânico e eis que a participante revela que... USA DENTADURA!! Eu não sabia se
ria ou chorava.

Mexeram com você? Então mexeram com a Márcia e pode ter certeza que ela vai te
ajudar, mas ela não fará isso de graça, você paga fazendo um bico de palhaço no
programa dela.

É por isso que o meu querido Brasil não vai pra frente !!!!!

sábado, 3 de janeiro de 2009

Em tempos de novos políticos

A NOVA ORDEM NO EXTRATIVISMO DA AMAZÔNIA

Do aviamento às cooperativas de trabalhadores*

O imperialismo na Amazônia revela como — através da sua política de ecologismo — imprime o caráter semifeudal nas relações de produção e de trabalho

Nazira Correia Camely**
Ao final do século XIX, a economia da Amazônia atendia aos interesses do capital monopolista internacional como fornecedora da borracha, matéria-prima de fundamental importância para o desenvolvimento do capitalismo em sua fase monopolista. Essa economia foi caracterizada como sistema de aviamento, que consistia na manutenção da dependência do seringueiro ao patrão seringalista através do endividamento. Com a falência dos seringais e a expansão da frente agropecuária na Amazônia, nos anos 70 do século XX ocorre o acirramento da luta pela terra nesta região.

No Acre, a luta pela terra é descaracterizada quando o imperialismo alicia antigos ativistas para os movimentos de "defesa do meio ambiente”. Aqui, o exemplo mais famoso é o de Chico Mendes, transformado mais tarde em agente ambientalista.

No final dos anos 80 são criadas na Amazônia as Reservas Extrativistas (Resexs), que passam a cumprir vários papéis: garantir a preservação de recursos naturais para uso futuro dos monopólios; produzir, no lugar de alimentos para as populações camponesas, produtos exóticos para os mercados dos países imperialistas; criar no campo uma população não identificada com os camponeses de outras regiões, mas atendendo interesses mediatos dos imperialistas. Em meados dos 80, instituições vinculadas ao imperialismo, como Ongs ianques e inglesas, atuavam com um conjunto de indivíduos da pequena burguesia, alguns vinculados ao PCdoB, outros ao PT/Igreja Católica, desenvolvendo cooperativas de produção no atendimento das demandas dos seringueiros nas áreas de saúde e instrução pública.

As cooperativas visavam enfrentar os atravessadores (marreteiros) na comercialização da borracha, momento em que a maioria dos seringalistas (proprietários dos seringais), falidos, já transferiam suas propriedade para grandes pecuaristas. Em 1988 é fundada a Cooperativa Agroextrativista de Xapuri (Caex), e em 1993 a Cooperativa Agroextrativista de Brasiléa (Capeb), ambas com usinas de beneficiamento de castanha, agregando-lhes os nomes de duas personalidades assassinadas, Chico Mendes e Wilson Pinheiro, respectivamente.

A Caex recebeu apoio e financiamento de Ongs e Fundações de governos imperialistas como a Cultural Survival Enterprise; Fundação Ford; Fundação Inter-Americana (organismo do Estado ianque); World Wildlife Fund (WWF); Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID); instituições dos EUA; a Ong Novib, da Holanda; do governo da Áustria e também de instituições brasileiras como o BNDES e Ibama.

O montante de recursos recebidos pela Caex, no período entre dezembro de 1988 e julho de 1989, alcançou a cifra de US$ 1,8 milhões.
Relações de produção nas cooperativas

A Castanha do Brasil (Bertholletia excelsa) é árvore secular encontrada em várias regiões da floresta amazônica, principalmente no Brasil, Peru e Bolívia. Por ordem de concentração, sua maior incidência ocorre no Acre, Amazonas, Pará e ao norte do Mato Grosso.

Em 1990, começou a funcionar em Xapuri a Usina de Beneficiamento de Castanha Chico Mendes, com a maior parte de sua força de trabalho composta por quebradoras de castanha, assim designadas pela atividade de quebra da casca da castanha para a retirada da amêndoa. A maioria dessas trabalhadoras era constituída por antigas moradoras dos seringais da região, expulsas com suas famílias no período dos violentos conflitos de terra na frente de expansão da economia agropecuária, principalmente na região do Vale do Acre, nos municípios de Brasiléia e Xapuri.

Nos seringais, as mulheres já exerciam a atividade de quebra da castanha para diversos usos da fruta, como o leite e o óleo, enquanto os homens ocupavam-se da atividade de coleta dos ouriços no período da safra. Esse "saber fazer” das mulheres no uso doméstico da castanha foi apropriado pela cooperativa ao contratá-las para a atividade de quebra da castanha. Nas atividades fabris essa apropriação representa a característica de todas as coisas que no capitalismo toma a forma de mercadorias, inclusive os homens e mulheres ao venderem sua força de trabalho. A produção no interior da usina concentrava mais trabalhadoras no setor de quebra, com 90% de participação das mulheres. Inicialmente, de 1990 a 1992, foram contratadas mais de 100 mulheres para a usina, em regime de CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), destacando-se carteira de trabalho assinada, com garantia de benefícios e Previdência Social.

O processo de trabalho na Usina abrange inicialmente a etapa de seleção e lavagem das castanhas que chegam dos seringais. Depois as castanhas passam por um processo de imersão de várias horas onde permanecem num caldeirão para que sua casca seja dilatada, facilitando a fase seguinte, em que as trabalhadoras, auxiliadas por martelos manuais, passam longas horas sentadas executando a quebragem.

A quebra requer muita habilidade, sendo que a maior quantidade obtida de castanhas inteiras garante a melhor qualidade do produto, por isto denominado de castanhas inteiras (tipo 1), castanhas quebradas (tipo 2) e castanhas muito quebradas (tipo 3). Os tipos 2 e 3, depois da retirada das cascas, são utilizados pelas indústrias em doces, biscoitos etc. A quebra da castanha é a fase do processo da produção que impõe às trabalhadoras um ritmo e intensidade de trabalho alto e fatigante — uma extensa jornada de trabalho acompanhada de riscos de acidentes. Aí, como as castanhas chegam do processo de imersão ainda muito quentes, é comum as trabalhadoras queimarem os dedos e receberem golpes involuntários desferidos durante o uso prolongado do martelo manual.

Pior, muito pior

Estratégias ecológicas e de "flexibilização” promovem a piora das condições de vida das trabalhadoras. Em 1992 foi elaborado na Caex o "Projeto Castanha” que objetivava: 1) levar para os seringais da Resex Chico Mendes a atividade de beneficiamento da castanha com a instalação de mini e micro usinas que objetivavam o "aumento da renda de famílias” da reserva extrativista e, principalmente, promover uma atividade em termos "ecologicamente corretos” que agregassem mais valor aos chamados produtos da floresta, como é o caso da castanha, e promovessem atividades econômicas que garantissem a floresta em pé — no caso, as castanheiras; 2) flexibilização da produção e do trabalho com o objetivo de reduzir custos, principalmente os da força de trabalho.

A função ecológica do "projeto castanha” tem como objetivo garantir aos interesses imperialistas a preservação de recursos estratégicos para a indústria da biotecnologia. Daí a necessidade de preservação dos recursos naturais. E novamente, aparecem os agentes do imperialismo que financiaram e promoveram a descaracterização da luta pela terra no Acre em benefício da "preservação” do meio ambiente.

A "flexibilização da produção” é a estratégia utilizada com o objetivo de retirar mais valor do processo de trabalho, para dar um fôlego financeiro à Cooperativa. Para tanto, a Caex demitiu as trabalhadoras e estabeleceu um contrato com outras mulheres, onde elas se comprometiam a efetuar o processo da quebra da castanha nas suas casas, obedecendo aos padrões de produção e normas de higiene, estratégia que pretendia garantir a mesma qualidade do produto obtido na Usina.

Em 1999, a remuneração das trabalhadoras correspondia ao valor da produção obtida com a quebra das castanhas em seus domicílios: R$ 0,55 por quilo de castanha quebrada inteira (tipo 1); R$ 0,35 por quilo de castanha de tipo 2 e R$ 0,25 por quilo de castanha de tipo 3. Para alcançarem o valor do salário mínimo da época as trabalhadoras tinham que trabalhar até doze horas por dia e contar com o trabalho de outros membros da família para obter da quantidade de quilos de castanha quebradas um rendimento mínimo.

Na cidade de Brasiléia, na fronteira com a Bolívia (e palco de luta dos seringueiros nos anos 70), o cooperativismo representado pela Cooperativa Agroextrativista de Brasiléia, colocou as quebradoras de castanha deste município em situação igualmente difícil. A Capeb, fundada em 1993, possui a Usina de Beneficiamento de Castanha Wilson Pinheiro, que funcionou no período de 1999 a meados de 2002, chegando a contratar no período de maior produção até 100 trabalhadoras. A relação de trabalho dessa cooperativa com as trabalhadoras não originou, em nenhum momento, um contrato formal nos moldes da CLT. As trabalhadoras na Usina recebiam por produção. Ou seja, não tinham a garantia do salário mínimo. Produziam na usina em condições de trabalho semelhantes às já descritas na Usina Chico Mendes, apesar de, na relação capital x trabalho, a legislação laboral populista da época Vargas, incorporada na Lei brasileira, garantir determinados direitos trabalhistas e previdenciários. A não realização deste contrato coloca os trabalhadores numa situação de exploração ainda mais intensa.

Aqui, as mulheres trabalhavam em média de dez a doze horas por dia, e muitas não recebiam o valor do salário mínimo. Aquelas cuja remuneração superava um pouco o salário mínimo graças a uma produção maior, com a permissão da gerência da Usina levavam para lá membros de sua família, principalmente os filhos pequenos.

Em 2001 e 2002, a Capeb contratou uma cooperativa de serviços, a Coopserv, para que esta assumisse a relação laboral com as trabalhadoras. A Coopserv — a exemplo das cooperativas que funcionam com o objetivo de retirar das empresas as responsabilidades trabalhistas, ao estilo do que se denominou chamar cooperativas de "gatos”, por serem atravessadoras no fornecimento da força de trabalho às empresas — surgiu como prestadora de serviços para a prefeitura local, na época também administrada pelo PT.

As trabalhadoras de Brasiléia residem nos bairros mais pobres, com os mesmos problemas das cidades maiores: extrema miséria, nenhum saneamento básico, altíssimo desemprego, tráfico de drogas etc. Em novembro de 2003, nas entrevistas que realizei neste local, famílias inteiras não dispunham de nenhum rendimento. Muitas eram chefiadas por mulheres, as quais permanecem longos períodos sem seus companheiros — que vão trabalhar por temporadas nas fazendas da redondeza e também na região fronteiriça com Bolívia, no Departamento do Pando, como coletores de castanha, nas atividades da construção civil ou da pecuária.

Inicialmente, a proposta cooperativista da Caex e Capeb alardeava combater o sistema de aviamento que ainda perdurava nos seringais da região. Mas, a partir da descentralização da produção para os domicílios das mulheres quebradoras, vemos em documentos da Caex que esta paga as trabalhadoras com mercadorias. A prática se reporta à relação de aviamento do seringueiro com o patrão, na qual este adiantava produtos de primeira necessidade que o seringueiro pagava com a produção de borracha. No final resultava sempre um saldo positivo a favor do patrão. No sistema capitalista, relações, que no geral são reconhecidamente arcaicas e superadas, muitas vezes são recuperadas e engendradas sob formas aparentemente novas de relações sociais de produção. Na realidade, escamoteiam a lógica da produção capitalista que tem na exploração e apropriação dos valores gerados pelo trabalho a base de sua reprodução.

Ongs que financiam a Caex e o "Projeto Castanha”

1 - Cultural Survival Enterprise — Ong norte-americana que trabalha com comércio de produtos provenientes das florestas tropicais.

2 - Fundação Ford — Instituição filantrópica norte americana, fundada em 1936. Atua em vários países do mundo tendo como principal objetivos reduzir a pobreza e a injustiça, promover valores democráticos e a cooperação internacional.

3 - Fundação Inter-Americana (IAF) — Organismo público criado pelo governo dos EUA em 1969, proporciona ajuda financeira direta para os esforços de auto-ajuda da população pobre da América Latina e Caribe.

4 - World Wildlife Fund (WWF) — Ong fundada na Suíça em 1961 e atua no Brasil desde 1971. É um fundo mundial para a vida silvestre.

5 - Novib — Instituição holandesa que atua em países da América Latina e África com o objetivo de "promover políticas de desenvolvimento que combatam a pobreza"

*Artigo baseado na dissertação de mestrado "Cooperativas e trabalhadores da pós-modernidade: o estudo de caso das quebradoras de castanha da Usina Chico Mendes”, apresentada ao curso de pós-graduação em economia da UFF.
**Nazira Correia Camely é Professora do Departamento de Economia da Universidade Federal do Acre – UFAC ( nazira@ufac.br)