
Tamanha é a influência do automóvel na vida moderna que a busca de um modo de transporte alternativo deixa de ser um problema técnico para converter-se em um problema cultural. Na sociedade capitalista, o automóvel é símbolo do sucesso. Diz respeito, portanto, ao sentido da existência. Sem falar que, nestas alturas, a introdução de um meio de transporte alternativo afetará profundamente a economia mundial e requererá uma visão urbanística totalmente nova.
Na campanha eleitoral em curso, o transporte urbano fará certamente parte do discurso de todos os candidatos. Dentre eles, os candidatos da esquerda obviamente também terão de fazê-lo, porque não podem ignorar que a população trabalhadora perde de três a quatro horas do seu dia para deslocar-se de suas casas aos seus locais de trabalho.
Evidentemente, as únicas medidas eficazes para solucionar esse problema são as que restringem drasticamente o uso do transporte individual. Surge então a grande dificuldade: se incluírem essas medidas em seus programas, poderão perder eleitores; se não as incluírem, estarão legitimando a idolatria do símbolo do capitalismo, pois, tanto os que possuem como os que aspiram possuir um automóvel não conseguem entender a vida sem ele.
Numa sociedade anestesiada pelo consumismo, como a nossa, fazer uma proposta de bom senso é um verdadeiro risco, de modo que esses candidatos podem ser tentados a adotar a primeira regra do "marketing" eleitoral: "o candidato não deve falar o que os eleitores não querem ouvir".
Na resistência a essa capitulação reside o sentido da participação dos partidos socialistas na eleição municipal. Os socialistas precisam anunciar soluções reais para os problemas concretos da população explorada pelo capitalismo, o que supõe alternativas que, num primeiro momento, podem chocar uma população completamente despolitizada. Se adotarem a linha de propor alternativas dentro da normalidade burguesa, seu discurso não passará de uma variante do discurso mistificador dos candidatos do "establishment" .
Os partidos da esquerda brasileira estão se refazendo, a duras penas, da devastadora derrota sofrida nos anos 90. Não há nem mesmo certeza de que conseguirão voltar ao processo político na condição de atores efetivos da disputa que hoje se trava. O caminho mais seguro para realizar essa difícil travessia é não omitir de seus programas propostas que, agora, podem desagradar o grande eleitorado, mas que apontam com lucidez e coragem para soluções realmente efetivas.
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