Caros Leitores, desde a sua criação o Blog Xapuri News, o intuito sempre foi de ser mais um espaço democrático de noticias e variedades, diretamente da Princesinha do Acre - Terras de Chico Mendes - para o mundo, e passará momentaneamente a ser o instrumento de divulgação das Ações da Administração, Xapuri Nossa Terra, Nosso Orgulho, oque jamais implicará em mudança no estilo crítico das postagens.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Encontro de Escritores e Leitores acontece amanhã


A Academia Acreana de Letras, em parceria com o Governo do Estado do Acre, através da Fundação Elias Mansour

A Academia Acreana de Letras, em parceria com o Governo do Estado do Acre, através da Fundação Elias Mansour, retoma o projeto Encontro de Escritores e Leitores com o lançamento do livro "Política Educacional no Estado do Acre (1963-1995) - A Trajetória da Formação Docente", de Álvaro Sobralino de Albuquerque Neto, nesta sexta-feira, 9, às 19h30, no Theatro Hélio Melo.

Como explicitado no título, o livro enfoca a questão da trajetória da formação docente no Estado do Acre, no período delimitado. Resumo de uma Tese de Doutorado, a pesquisa analisa a coerência das propostas oficiais da política educacional acreana e as metas obtidas, contribuindo historicamente à análise da política educacional regionalizada, escassa de bibliografia sistematizada sobre o tema.

"As razões que levaram à realização deste trabalho foram de várias ordens, principalmente intelectual, decorrente do desejo de conhecer e compreender, e prática, decorrente do desejo de conhecer com vistas a fazer algo de maneira mais eficiente ou eficaz" explica o autor. "A identificação com o tema teve início no início dos anos 70, ao concluir minha formação para atuação no magistério primário, prosseguindo com meus estudos em Pedagogia".

O autor centraliza sua análise na ação estatal sem preocupação de realizar um inventário exaustivo sobre a educação acreana. Ao contrário, trata-se de um estudo introdutório que pretende ampliar o debate sobre o tema enfocado. "A análise de conteúdo da política educacional acreana foi submetida a uma interpretação à luz de um referencial teórico-crítico, construído através de minha experiência acadêmica de estudante e professor e, ainda, através de estudos específicos realizados sobre o tema" explica. Cônscio das limitações de sua obra, o autor convida o leitor a apresentar suas críticas e sugestões.

O autor - Álvaro Sobralino de Albuquerque Neto é Doutor em Educação pela UFMT, Mestre em Educação pela Universidade Sagrado Coração de Bauru-SP. Professor aposentado pela UFAC, atualmente é o Coordenador de Pós Graduação do IESACRE e Membro da Academia Acreana de Letras.

Escritores e Leitores - O Encontro de Escritores e Leitores tem por finalidade promover a interação entre autores e leitores, contribuindo para o exercício da cidadania, na medida em que permite ao individuo a compreensão do significado das vozes que se manifestam no debate social e cultural no meio em que a obra é produzida.

Xote do Urubu

Eu como tudo, eu como tudo cru, até couro de cobra de sucuriju.
Sobrevoando essa cidade, meus Deus que estado de calamidade, neste estado de calamidade.
Teve um tempo em que eu andava arretado, eu fui a Xapuri ver se caçava um veado, mas não tinha nada que decepção, só couro de cobra esticado no chão.
Estiquei a viagem e fui pra Brasiléia, pra ver se rangava um courinho de veia e atravessei pro lado boliviano, e dei de cara foi com um veterano, de arma na mão dizendo ele é o cão, de arma na mão dizendo é um gavião.
Meio baleado fui pra Assis Brasil, pra aquelas bandas puxa quem me viu, cai na boca dos índios Jaminawá, me levaram despenado pro pajé observar.
Já despenado fui lá pra Feijó, chegando lá tomei logo um cipó, e na miração meu Deus que confusão, só couro de cobra esticado no chão.
Até um sapatão que eu vi do mirante, dei um razante mas não era couro cru, era couro de cobra de sucuriju.

A poesia acima é dos compositores Pia Vila e Felipe Jardim, chamada Xote do Urubu. Esses camarada eram de arrepiar quando o assunto era festival de música no Acre. O Famp – Festival Acreano de Música Popular - deixou muitas boas lembranças na mente da galera que curtiu o movimento cultural nas décadas de 80 e 90.

O HOMEM APAIXONADO

Alan Rick Miranda *

Como é tolo o homem apaixonado...
Perde-se em devaneios e encantamentos...
É manipulável... Frágil... Desleixado.
Traem-lhe as idéias e o discernimento!

De uma tristeza sua face se invade
Seu olhar é perdido e sem destino
No peito, se lhe bate uma saudade...
Chora com um pranto de menino...

Como é tolo o homem apaixonado!
Que se encanta por coisinhas tão pequenas
Gotas de chuva no telhado...
Rosas, margaridas, alfazemas...

E por estar assim... ensimesmado...
Busca o amparo de um sorriso
Um abraço... um afago, por mais vago...
Trazem-lhe o consolo tão preciso.

O homem apaixonado não é nada
E é tudo e tanto ao mesmo tempo...
Tem seu leito nas alcovas ou calçadas...
Seja grande ou pequeno o seu tormento.

E por mais que lhe confortem os amigos
Seu desejo é como brasa incandescente
E essa agrura só aflige a quem sofrer
Da mesma dor que o apaixonado sente.

*Alan Rick Miranda, poeta, cronista e jornalista acreano.

Há 44 anos, o primeiro Governador eleito do Acre foi deposto

Esta quinta-feira não é um dia qualquer no calendário.

Foi exatamente no dia 8 de maio de 1964 que o primeiro governador constitucionalmente eleito pelo povo acreano, José Augusto de Araújo, foi deposto do cargo numa ação orquestrada pelo capital Edgar Pedreira Cerqueira Filho, que contou com a cumplicidade da Assembléia Legislativa.

Na foto, o governador aparece ao lado do então deputado Maria Maia, que também foi vítima da ditadura.

Nos dias de hoje, a Assembléia Legislativa é presidida por Edvaldo Magalhães, um comunista convicto.

Há 44 anos, o governador José Augusto foi deposto justamente porque os militares e deputados lhe acusaram injustamente de ser comunista. São coisas como essas que reforçam o preço alto da democracia.

José Augusto de Araújo foi eleito com apenas 32 anos. Ganhou com o slogan “O Acre para os acreanos”. Implementou algumas medidas ousadas, que bateram de frente com a oligarquia política e econômica local. Foi triplamente golpeado. Sofreu golpe do seu partido (PTB), da Aleac e dos militares.

Em fevereiro de 1964, o governador se ausentou do Estado para fazer tratamento de saúde no Rio de Janeiro. Teve que voltar mais cedo porque a situação política no Acre não lhe era favorável.

No dia 8 de maio, às 14h35, mandou telegrama ao comandante da 8ª Região Militar, em Belém, onde dizia conhecer as denúncias feitas contra ele pelos deputados Aluízio Queiroz e Eloy Abud, ambos do PSD. Negou ser comunista. Foi um dos seus últimos atos. Às 21 horas do mesmo dia entrega a carta de renúncia..

Mesmo incentivado a reagir, o governador preferiu evitar o derramamento de sangue. Fez uma carta de renúncia simples. Leia o teor: “De acordo com a alínea B, item II, do Artigo 24, da Constituição do Estado, comunico a esta Assembléia que, nesta data, renuncio ao cargo de governador do Estado do Acre, para o qual fui eleito em 7 de outubro de 1962”.

Os deputados estavam combinados com Edgar Cerqueira. É tanto que a Aleac ficou em sessão permanente desde as 14 horas do dia 8 de maio. Todos os segmentos econômicos, oligárquico e políticos estavam empenhados na deposição do governador eleito.

O primeiro ato que confirmou a preparação prévia para a cassação de José Augusto foi encenado quando o então presidente da Aleac, José Ackel Fares, abriu a sessão para pôr em votação a Emenda Constitucional nº 3, que propunha a eleição, em dois dias, de um governador, em caso de vacância. A matéria fora aprovada em dois turnos, em meio a muito constrangimento.

Às 22 horas, o deputado Geraldo Reis Fleming leu a carta renúncia de José Augusto de Araújo. Em seguida, José Ackel Fares comunicou que recebeu, por meio dos líderes de bancada, o nome de Edgar Pedreira Cerqueira como candidato a governador.

O militar foi eleito indiretamente por deputados do PSD e PTB. A sessão foi encerrada às 23h40. O governador da ditadura assumiu no dia seguinte, às 11 horas. Começou ali uma das fases mais escuras da nossa história Acreana.

Um dia após a renuncia, José Augusto viajou para o Rio de Janeiro. Em 1965, retornou ao Acre. Foi preso. Passou sete meses prestando esclarecimentos em processos abertos por Edgard Cerqueira. Nesse período teve que ser internado no Hospital de Base de Rio Branco, em estado grave, acometido por infarto.

Retornou ao Rio e recebeu outra intimação para depor, desta vez, em Belém, onde permaneceu dois meses e sofreu outro infarto. No leito do hospital que recebeu notícia de sua cassação do mandato e dos seus direitos políticos por 10 anos.

Edgar Cerqueira deixou claro, logo no discurso de posse, que não admitiria ser contrariado. O curioso é que deputados que lhe deram apoio passaram a ser perseguidos, sob a acusação de serem comunistas.

Nascido em Cruzeiro do Sul em 1930, José Augusto teve uma carreira política meteórica. Quando estudava História no Rio de Janeiro, chegou ao cargo de secretário-geral da UNE. Ingressou na política partidária somente 1958, quando ficou na suplência de deputado federal. Em 1960, assumiu o mandato por quatro meses, quando aproveitou para se projetar.

Se ainda fosse vivo, José Augusto de Araújo completaria 78 anos no dia 3 de julho. Mas morreu cedo. Seu coração não resistiu tanta pressão. Morreu no dia 3 de abril de 1971, no Rio de Janeiro. Tinha apenas 40 anos.

Para encontrar fundamentação suficiente sobre o período de cassação do governador José Augusto de Araújo, o editor do blog pesquisou no texto “O golpe militar no Estado do Acre, Brasil: denuncismo, fragilidade democrática e hipertrofia do Executivo”, de autoria do professor do Departamento de História Ufac Francisco Bento da Silva. Vale a pena fazer uma boa leitura do material.

Ex-Deputado Roberto Filho e Jr. seu filho, apesar de presos ainda causam dor de cabeça à Justiça

Desde a semana passada o Ministério Público Estadual está vivendo dias de guerra. Promotores e procuradores estão divididos depois de uma decisão do promotor José Admilson de emitir um parecer favorável á liberdade do ex-deputado Roberto Filho e Bebeto Júnior, presos no quartel da Polícia Militar desde dezembro do ano passado.

Para o promotor, pai e filho não ameaçam as investigações, as testemunhas e a instrução criminal.

Acontece que parte do MPE é a favor da manutenção da prisão, principalmente a promotora Alessandra Garcia, que estava na lista das pessoas ameaçadas de morte pelo ex-deputado.

O parecer está nas mãos da Juíza da Segunda Vara Criminal, Denise Bonfim. A magistrada não fala sobre o caso, mas pode dar a sentença definitiva do caso ainda na semana que vem. Isso acabaria com a expectativa do Ministério Público, da sociedade e principalmente da família, que acusa a justiça e manter pai e filho presos ilegalmente.

Roberto e Bebeto foram acusados de planejar a morte de um Juiz, uma promotora e um suplente de deputado. A prova seriam conversas gravadas com o matador. Se passaram 5 meses da detenção e nenhum material com a prova foi revelado.

Informações extras oficiais indicam que as fitas com a gravação de Roberto Filho e o suposto matador estariam no MP. Não foram divulgadas as conversas porque o material está inaudível (a gravação não pode ser ouvida, nem com equipamentos). Sem as fitas não existem provas de que o ex-deputado estaria planejando a morte de alguém e a prisão ilegal.

OS CRIMES - Mas a sentença que será proferida não é de acusação por planejar a morte de juiz, promotor ou suplente de Deputado. No ano passado Lenice Barros, Bebeto Júnior e Roberto Filho foram acusados e atear fogo na casa onde a família morava para pegar um milhão de reais de uma seguradora.

No mesmo processo o trio responde por 3 crimes.
O primeiro de incêndio criminoso. De acordo com a perícia, na casa foram encontrados 6 focos de incêndio, como se tudo fosse proposital. A pena para esse tipo de infração é de 3 a 6 anos de prisão;
Depois vem falsidade ideológica, a família usou notas fiscais falsas para requisitar o seguro. Pena de 2 a 6 anos;
O terceiro crime seria de coação a um funcionário da seguradora, somando o juiz, a promotora que trabalharam no caso, a penalidade varia entre um e 4 anos. Condenados, cada um pode ser pegar no mínimo 7 anos de prisão, como são réus primários, ficam pouco mais de dois anos. Só que podem recorrer da decisão da Justiça de primeiro grau, mas continuam presos.

Agripino diz que foi 'mal interpretado' no depoimento de Dilma

Líder do DEM no Senado afirmou que ministra foi 'esperta' e 'usou a emoção'. Para ele, ministra deve voltar ao Congresso.

O líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), afirmou nesta quinta-feira (8) ter sido mal interpretado em sua intervenção no depoimento da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), em que citou a ditadura militar.

"Fui mal interpretado", ele disse. Para Agripino, a ministra foi “esperta e astuta” e “usou a emoção” para não responder a pergunta, que tinha como pano de fundo o suposto dossiê com gastos do governo Fernando Henrique Cardoso.

No depoimento realizado na quarta-feira (7), Agripino invocou uma entrevista em que a ministra dizia ter mentido quando foi torturada no regime militar para criticar os “regimes de exceção”. Segundo o líder, sua intenção era mostrar que a prática de dossiê é típica desses regimes.

“A ministra, espertamente, pegou um elemento da minha fala e emocionalizou. Ela fugiu do objetivo da pergunta e com esperteza política usou da emoção para conseguir se vitimizar”, disse o líder do DEM.

Agripino disse não ter ficado satisfeito com as explicações de Dilma sobre o dossiê. Para ele, a ministra deve voltar ao Congresso após a conclusão do inquérito da Polícia Federal sobre o caso.

Brasil mantém pontuação máxima em ranking de Relações com Investidores

O Institute of International Finance (IIF), associação global que reúne as principais instituições
financeiras do mundo, divulgou uma segunda atualização do seu ranking de Relações comInvestidores (RI) e Práticas de Transparência dos países emergentes mais ativos no mercado de dívida. O Brasil manteve-se na primeira colocação do ranking, sendo o único país a alcançar a nota
máxima, 38 pontos.

O estudo de 2008 incluiu seis novos países, totalizando 38, alguns considerados 2investment grade como Chile, China, Coréia do Sul, México, Rússia e Brasil , o mais
novo membro desse seleto grupo.

O ranking foi elaborado com base em 20 critérios de avaliação, que buscaram identificar a qualidade e a tempestividade da disseminação de informações macroeconômicas e fiscais; a qualidade e facilidade de navegação do site de RI; o grau de acessibilidade da equipe de Relações com Investidores; e a eficiência dos canais de comunicação entre os investidores e a instituição.

No Brasil, duas instituições são responsáveis pelo relacionamento com investidores. O Banco
Central do Brasil (BCB) é responsável pela comunicação de temas relacionados à política
econômica em sentido mais amplo. Já a Secretaria do Tesouro Nacional (STN), do Ministério da
Fazenda, é responsável pela divulgação de temas relacionados à política fiscal e à dívida pública.
Pela primeira vez, as áreas de RI de ambas as instituições satisfizeram todos os critérios avaliados, recebendo pontuação máxima.

terça-feira, 6 de maio de 2008

GOLPE DA ELITE NA BOLÍVIA

Vejam como são as coisas em um país onde a democracia ainda é incipiente. A oligarquia boliviana, que saqueou, vendeu e escravizou por anos os recursos naturais e os trabalhadores, inconformada com a subida ao poder do primeiro presidente representante da parte majoritária da população, resolveu realizar um referendo para decidir a autonomia da região mais rica do país.

Agiram de maneira infantil, preferindo o caminho do confronto, assumindo a postura do mau perdedor, que inconformado, sempre costuma dizer: 'ganhou mas não levou!'.

É uma pena pois a Bolívia, todos sabem, é um país extremamente pobre que deveria estar trabalhando unido para construir um futuro melhor para seu povo. Ma a elite na maioria dos lugares é assim mesmo. Não admite perder seus privilégios. E para se manter no poder é capaz de fazer coisas impressionantes. Até mesmo arriscar o futuro de uma nação, como é o caso boliviano.

O estopim boliviano está aceso e conflitos graves poderão ser desencadeados em futuro próximo. Torço para que os bolivianos encontrem uma saída para o seu problema, mas desde já espero que a maioria do povo, os descendentes indígenas, autênticos 'donos' do país, não dê o braço a torcer e baixem a cabeça mais uma vez para a minoria que sempre governou o país.

Evo Morales pode ter tomado atitudes radicais contra empresas brasileiras e nossa imprensa não perdeu tempo de mostrar o líder boliviano como um oportunista. No entanto, muitas de suas atitudes foram normais diante das vantagens absurdas que multinacionais estavam levando nos contratos negociados antes de Morales subir ao poder.

Pouca gente sabe, mas uma termelétrica de Cuiabá, pertencente a uma empresa privada brasileira, conseguiu a façanha de garantir contratos de gás pagando pouco mais de 25% do preço praticado no mercado. Isso é exploração e nada mais natural do que acabar com a pouca vergonha.

Eu acho que a atitude do Brasil para com a Bolívia de Morales, agindo como o irmão mais velho, é mais que conveniente. Pela situação precária do nosso vizinho e considerando a nossa condição atual, um pouco de solidariedade é mais do que um gesto amistoso. Mostra apreço e compromisso para que os vizinhos possam progredir e dar condições de vida digna a seu povo.

Ao Brasil e ao Acre interessa que a Bolívia continue a existir como nação e não como retalho. Vejam que se a Bolívia se firmar como democracia, com instituições sólidas, só teremos a ganhar. Por enquanto, as fragilidades democráticas do nosso vizinho permitem que o país seja território livre para a produção e tráfico de drogas, comercialização de veículos roubados no Brasil etc.

Se a Bolívia fosse uma nação forte e estruturada, tão desenvolvida como o Brasil, o Acre estaria, seguramente, livre do maior flagelo da atualidade: as drogas.

Solidarizo-me com os vizinhos e desejo boa sorte e que encontrem uma saída democrática e civilizada que atenda aos interesses de todos. E viva a democracia.

‘’Candidatos devem ficar atentos a legislação eleitoral’’, alerta juíza

Os candidatos que pretendem disputar as eleições desse ano, quando serão eleitos os novos vereadores e prefeitos dos 22 municípios acreanos, devem ficar atentos a Legislação Eleitoral. O alerta é da juíza da 9ª Zona eleitoral de Rio Branco, Mirla Regina Cutrim. O mesmo vale para os partidos políticos e coligações.

Segundo ela, o Tribunal Regional Eleitoral (T.R.E) do Acre estará atenta e agirá com rigor para que o processo transcorra de forma pacífica e democrática. A propaganda fora de época – antes do dia 6 de junho – é citada pela juíza como uma das práticas que devem ser evitadas, sob de aplicação das sanções previstas na legislação eleitoral.

“Ainda não temos candidatos oficializados, mas temos aquelas pessoas que são os pré-candidatos. Portanto nesse período, a Legislação proíbe qualquer tipo de divulgação e propaganda. As normas do TSE dizem que quem descumprir, deve ser punido”, adverte.

O Dia das Mães, que se aproxima, por exemplo, é uma data que precisa ser vista com cuidado pelos pré-candidatos. “O que caracteriza a divulgação é chamar o povo. Quando o evento é feito apenas para os filiados do partido ou em locais fechado, não tem problema’’, observa.

Mirla Regina orienta as direções dos partidos a convocarem seus candidatos para estudarem a legislação estabelecida para as eleições de 2008. Essa, segundo ela, seria uma forma simples e eficiente de evitar problemas e conseqüentes punições.

“Quando for necessário aplicar uma punição, vou agir dentro da Lei. Serei muito rigorosa para garantir um processo democrático. Não importa quem seja, vou trabalhar para que as eleições aconteçam da forma mais democrática possível”, declara, acrescentando que a justiça eleitoral está a disposição das comunidades, dos partidos e dos candidatos para os esclarecimentos que se fizeram necessários.

De olho no calendário eleitoral
Convenções - Serão realizadas entre os dias 10 e 30 de junho, quando serão oficializados os nomes dos candidatos que vão participar das eleições e possíveis alianças (coligações).

Registro – Deve ser solicitado pelo partido ao cartório eleitoral competente até as 19 horas de 5 de julho. Caso não seja feito pela sigla, o próprio candidato pode se inscrever até as 19 horas do dia 7 de julho.

Propaganda - A partir de 6 de julho, mesma data em que poderão realizar comícios e utilizar aparelhagem de sonorização fixa, das 8 às 24 horas.

Recursos - Os partidos políticos têm até o dia 14 de julho para constituírem os comitês financeiros, observado o prazo de 10 dias úteis após a escolha de seus candidatos em convenção.

Proibições previstas
- Após ser escolhido em convenções, os candidatos não podem apresentar nem comentar programas de rádio e televisão.

- A partir de 5 de julho, três meses antes do primeiro turno, os candidatos aos cargos de prefeito e vice-prefeito não podem participar de inaugurações de obras públicas.

- A partir de 20 de setembro nenhum candidato poderá ser detido ou preso, salvo em flagrante delito.

- Já o eleitor não poderá ser detido ou preso de 30 de setembro a 7 de outubro ( 48 horas depois do encerramento da eleição), salvo em flagrante delito, ou em virtude de sentença criminal condenatória por crime inafiançável, ou ainda, por desrespeito a salvo-conduto.

Roraima acusa índios de bloquear rios e vai ao STF

O governo do Estado de Roraima entrou com ação no Supremo Tribunal Federal (STF), com pedido de liminar, contra a comunidade indígena waimiri-atroari, que vive na divisa com o Amazonas.

Invasão de fazenda foi 'terrorismo', diz governador de RR

Os índios, segundo a Agência Brasil, são acusados de impedir o livre trânsito de pessoas nos rios Jauaperi e Macucuaú, o que fere o direito de todos os cidadãos de ir e vir.

O governo pediu a liminar por considerar que há risco de conflito entre índios e a população ribeirinha. O motivo é que os rios são a única forma de transporte para a população não-índia chegar à área de extração de castanha, atividade de subsistência na região.

Depoimentos de índios
Cinco dos dez índios feridos nesta segunda-feira durante o confronto entre funcionários de arrozeiros e indígenas na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, vão prestar depoimento à Polícia Federal (PF). Segundo informações do coordenador de Projetos da Comunidade Raposa Serra do Sol, ligado ao Conselho Indígena de Roraima (CIR), o macuxi Jaci José de Souza, os índios aguardam a chegada dos policiais à sede do conselho para prestar esclarecimentos.

Dos outros cinco indígenas feridos, três estão sob observação na Casa do Índio (Casai) e os outros dos, no Pronto-Socorro de Pacaraima, município na fronteira com a Venezuela. Segundo o representante indígena, o clima é de revolta entre os índios da Raposa Serra do Sol.

“Estamos muito revoltados. Estávamos construindo nossas casas próximo ao local onde nascemos e os jagunços atacaram a gente”, afirmou Souza. O macuxi nega que os índios tenham invadido a propriedade do líder dos arrozeiros de Roraima, Paulo César Quartiero. Mas argumenta que a fazenda está situada em terra indígena. “A fazenda não tem limite, quem tem limite somos nós. Ali é nossa terra.”

Quartiero disse que seus funcionários dispararam tiros contra índios porque houve uma tentativa de invasão à Fazenda Depósito, de sua propriedade, que fica dentro da Terra Indígena Raposa Serra do Sol.

“De 50 a 100 índios invadiram a fazenda e meu pessoal foi pedir para que se retirassem. Eles chegaram atirando flechas e aí houve o confronto”, alegou Quartiero. “Também estamos com seis feridos em Pacaraima [município vizinho à reserva, onde Quartiero é prefeito]”, acrescentou.

A Fundação Nacional do Índio (Funai) informou hoje que ainda está apurando o que ocorreu que vai se manisfestar oficialmente no decorrer do dia.

Genro na Raposa Serra do Sol
O ministro da Justiça, Tarso Genro, vai nesta terça-feira a Roraima acompanhar os desdobramentos do confronto entre índios e funcionários do líder dos arrozeiros de Roraima, Paulo César Quartiero, na terra indígena Raposa Serra do Sol. Segundo a assessoria de imprensa do ministério, Tarso Genro classificou a atitude dos empregados da Fazenda Depósito como “ação inaceitável”.

Tarso Genro estava em Manaus (AM) acompanhando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na inauguração de um projeto de urbanização do bairro Igarapé da Cachoeirinha e decidiu ir até Roraima após o conflito, em que dez índios foram baleados. De acordo com assessoria do ministro, ele volta ainda hoje a Brasília.

Conflito na região
Com área de 1,7 milhão de hectares, a terra indígena Raposa Serra do Sol foi homologada em maio de 2005, mas diversas ações contestam, no STF, o decreto de demarcação da reserva. Desde a homologação, intensificaram-se os conflitos entre índios e plantadores de arroz que resistem em deixar a reserva. Para retirar os arrozeiros do local, a Polícia Federal organizou a Operação Upatakon 3, que foi suspensa por decisão do STF.