Caros Leitores, desde a sua criação o Blog Xapuri News, o intuito sempre foi de ser mais um espaço democrático de noticias e variedades, diretamente da Princesinha do Acre - Terras de Chico Mendes - para o mundo, e passará momentaneamente a ser o instrumento de divulgação das Ações da Administração, Xapuri Nossa Terra, Nosso Orgulho, oque jamais implicará em mudança no estilo crítico das postagens.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Saúde na Escola chega em Xapuri com exames de vista para estudantes
Programa Olhar Brasil garante atendimento oftalmológico e também os óculos para os estudantes agora em Xapuri (Foto: Assessoria SEE) A equipe do Programa Saúde na Escola, da Secretaria de Educação, chega nesse final de semana (19 e 20 de setembro) o município de Xapuri com o objetivo de fornecer exames oftalmológicos aos estudantes da região. Composta por técnicos da SEE e oftalmologistas, a equipe vai atender 120 alunos do Movimento de Alfabetização-MOVA/ALFA100 e de escolas da rede estadual e municipal de ensino. A ação faz parte do Projeto Olhar Brasil, do Ministério da Saúde, que além de disponibilizar a consulta gratuitamente também fornece os óculos quando necessário .
Para realizar os exames, que será feito na escola Plácido de Castro, os técnicos do Saúde na Escola levarão de Rio Branco equipamentos oftalmológicos e toda infraestrutura necessária para efetivar as consultas, além de armações de óculos para os pacientes que precisam usar, escolham a melhor armação que atendam as especificações do seu biotipo."Ao levar este tipo de serviço até as comunidades carentes, estamos evitando que os pais dos alunos se desloquem até a capital, evitando assim gastos", declara o coordenador do programa Rutênio Sá.
O Olhar Brasil é uma iniciativa focada na identificação e correção de problemas visuais, tendo como meta reduzir as taxas de evasão escolar e facilitar o acesso dos idosos à consulta oftalmológica e aquisição de óculos corretivos para crianças de escolas públicas. No Acre, o Olhar Brasil pretende atender até o final do próximo ano, 10 mil estudantes em 18 municípios. As primeiras consultas foram feitas com a clientela do Brasil Alfabetizado dos municípios de Brasiléia, Epitaciolândia e Assis Brasil.
Para realizar os exames, que será feito na escola Plácido de Castro, os técnicos do Saúde na Escola levarão de Rio Branco equipamentos oftalmológicos e toda infraestrutura necessária para efetivar as consultas, além de armações de óculos para os pacientes que precisam usar, escolham a melhor armação que atendam as especificações do seu biotipo."Ao levar este tipo de serviço até as comunidades carentes, estamos evitando que os pais dos alunos se desloquem até a capital, evitando assim gastos", declara o coordenador do programa Rutênio Sá.
O Olhar Brasil é uma iniciativa focada na identificação e correção de problemas visuais, tendo como meta reduzir as taxas de evasão escolar e facilitar o acesso dos idosos à consulta oftalmológica e aquisição de óculos corretivos para crianças de escolas públicas. No Acre, o Olhar Brasil pretende atender até o final do próximo ano, 10 mil estudantes em 18 municípios. As primeiras consultas foram feitas com a clientela do Brasil Alfabetizado dos municípios de Brasiléia, Epitaciolândia e Assis Brasil.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Exercito Brasileiro realiza atividades cívico-social em Xapuri
A 17ª Brigada de Infantaria de Selva juntamente com o 4° Bis, realizaram atividades cívico-social na cidade de Xapuri nesta quarta-feira, dia 23, sob o comando do General de Brigada, Artur Costa Moura, que foi recebido pelo prefeito da cidade, Ubiracy Vasconcelos, o Bira. Na sexta-feira, será a vez de Brasiléia e no sábado em Epitaciolândia.
Várias atividades como atendimento médico com distribuição de medicamentos, odontológico e apresentação da Banda Marcial e palestra sobre a Operação Curare IV que está sendo realizada em toda área de fronteira do Acre com a Bolívia e Peru em conjunto com a Polícia Federal, Rodoviária, Militar, IBAMA e Receita Federal.
Várias atividades como atendimento médico com distribuição de medicamentos, odontológico e apresentação da Banda Marcial e palestra sobre a Operação Curare IV que está sendo realizada em toda área de fronteira do Acre com a Bolívia e Peru em conjunto com a Polícia Federal, Rodoviária, Militar, IBAMA e Receita Federal.
Binho Marques admite que não termina asfaltamento da 364 em sua gestão
O governador do Acre, Binho Marques, admitiu ontem, 23, pela primeira vez, aquilo que todos os acreanos já sabiam: vai ser impossível concluir o asfaltamento da BR-364 no trecho compreendido entre Rio Branco e a cidade de Cruzeiro do Sul. Ele culpou as chuvas pelo atraso das obras.
Binho Marques foi o entrevistado desta quarta-feira do programa Toque&Retoque, da Gazeta FM 93,3, que diariamente tem um quadro chamado Boca no Microfone, com Eliane Sinhasique e Nelson Liano Júnior, no qual personalidades e políticos são sabatinados.
No início do programa a jornalista Eliane Sinhasique quis saber se haveria qualquer possibilidade de o governo abrir mão da cobrança dos 25% de ICMS sobre a conta de energia e gentilmente Binho disse que não, preferindo dizer que "medidas estão sendo tomadas para quem consome menos pagar menos imposto".
O governador também negou que vá se candidatar a uma das duas vagas do senado que o PT vai apresentar nas próximas eleições: "sou candidato a ser secretário se o futuro governador quiser", brincou ele.
Roberto Vaz - Da redação ac24horas
Rio Branco, Acre
Binho Marques foi o entrevistado desta quarta-feira do programa Toque&Retoque, da Gazeta FM 93,3, que diariamente tem um quadro chamado Boca no Microfone, com Eliane Sinhasique e Nelson Liano Júnior, no qual personalidades e políticos são sabatinados.
No início do programa a jornalista Eliane Sinhasique quis saber se haveria qualquer possibilidade de o governo abrir mão da cobrança dos 25% de ICMS sobre a conta de energia e gentilmente Binho disse que não, preferindo dizer que "medidas estão sendo tomadas para quem consome menos pagar menos imposto".
O governador também negou que vá se candidatar a uma das duas vagas do senado que o PT vai apresentar nas próximas eleições: "sou candidato a ser secretário se o futuro governador quiser", brincou ele.
Roberto Vaz - Da redação ac24horas
Rio Branco, Acre
O réu eterno
Escrito por Gabriel Perissé
É impossível agradar a todos. Sempre serei julgado e condenado por alguém. Serei réu eterno no tribunal da humanidade. Sempre haverá um dedo em riste apontado contra mim. Não é paranóia, é constatação. Posso provar.
Se eu faço perguntas, sou invasivo. Se não faço, indiferente eu sou.
Se eu reclamo das coisas, sou enfadonho. Se não reclamo, acomodado eu sou.
Se eu telefono com frequência, não tenho mais o que fazer. Se não telefono, que belo amigo eu sou!
Se eu ajudo os outros, sou um carente disfarçado. Se não ajudo, inveterado egoísta eu sou.
Se eu publico muitos livros, sou arrivista. Se não publico, improdutivo eu sou.
Se eu não entro em briga, sou covarde. Se eu entro, implicante é o que sou.
Se eu perdôo fácil, sou bobalhão. Se não perdoo de cara, cruel, muito cruel eu sou.
Se eu mudo de opinião, sou inconstante. Se eu a mantenho custe o que custar, doa a quem doer, cabeça-dura eu sou.
Se eu entro no grupo, sou influenciável. Se não entro, anti-social eu sou.
Se eu estou rindo à toa, sou idiota. Se me mantenho sério, também idiota eu sou.
Se eu digo que vou, e no final não vou, sou preguiçoso ou sem palavra. Se eu digo que não vou, mas depois eu vou, além de não ter palavra maluco eu sou.
Se eu quero tudo verificado, catalogado, arquivado, sou obsessivo. Se tanto faz, sou relaxado.
E assim as coisas se desenrolam e me enrolam. Minha decisão te machuca e minha abstenção te aborrece; meu aperto de mão ou é frouxo à beça ou violento demais; quando chego atrasado é terrível, se chego com antecedência, é mania de perfeição... e se me torno pontual, não fiz mais do que a minha obrigação.
Voltado para o futuro, sou um sonhador. Voltado para o passado, um nostálgico incorrigível. Preso ao presente, superficial eu sou. Resta-me sair do tempo, e então serei o perfeito alienado!
Os juízes estão atentos ao menor gesto, à palavra que deixo escapar, à que não deixo, ao movimento do olhar, ao tremor das mãos. Sou punido por ser e por não ser.
Eterno réu, não mereço o céu, o inferno me despreza, o purgatório já me expulsou.
Preciso, com este texto, denunciar os meus juízes. O que fará de mim um infrator contumaz.
Gabriel Perissé é doutor em Educação pela USP e escritor.
É impossível agradar a todos. Sempre serei julgado e condenado por alguém. Serei réu eterno no tribunal da humanidade. Sempre haverá um dedo em riste apontado contra mim. Não é paranóia, é constatação. Posso provar.
Se eu faço perguntas, sou invasivo. Se não faço, indiferente eu sou.
Se eu reclamo das coisas, sou enfadonho. Se não reclamo, acomodado eu sou.
Se eu telefono com frequência, não tenho mais o que fazer. Se não telefono, que belo amigo eu sou!
Se eu ajudo os outros, sou um carente disfarçado. Se não ajudo, inveterado egoísta eu sou.
Se eu publico muitos livros, sou arrivista. Se não publico, improdutivo eu sou.
Se eu não entro em briga, sou covarde. Se eu entro, implicante é o que sou.
Se eu perdôo fácil, sou bobalhão. Se não perdoo de cara, cruel, muito cruel eu sou.
Se eu mudo de opinião, sou inconstante. Se eu a mantenho custe o que custar, doa a quem doer, cabeça-dura eu sou.
Se eu entro no grupo, sou influenciável. Se não entro, anti-social eu sou.
Se eu estou rindo à toa, sou idiota. Se me mantenho sério, também idiota eu sou.
Se eu digo que vou, e no final não vou, sou preguiçoso ou sem palavra. Se eu digo que não vou, mas depois eu vou, além de não ter palavra maluco eu sou.
Se eu quero tudo verificado, catalogado, arquivado, sou obsessivo. Se tanto faz, sou relaxado.
E assim as coisas se desenrolam e me enrolam. Minha decisão te machuca e minha abstenção te aborrece; meu aperto de mão ou é frouxo à beça ou violento demais; quando chego atrasado é terrível, se chego com antecedência, é mania de perfeição... e se me torno pontual, não fiz mais do que a minha obrigação.
Voltado para o futuro, sou um sonhador. Voltado para o passado, um nostálgico incorrigível. Preso ao presente, superficial eu sou. Resta-me sair do tempo, e então serei o perfeito alienado!
Os juízes estão atentos ao menor gesto, à palavra que deixo escapar, à que não deixo, ao movimento do olhar, ao tremor das mãos. Sou punido por ser e por não ser.
Eterno réu, não mereço o céu, o inferno me despreza, o purgatório já me expulsou.
Preciso, com este texto, denunciar os meus juízes. O que fará de mim um infrator contumaz.
Gabriel Perissé é doutor em Educação pela USP e escritor.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Forró temperado de tiros
Na noite de ontem 16/08 por volta das 21:00 no “Bar do Damião” ambiente bastante frequentado pelos forrozeiros de plantão, viveu momentos de sustos quando dois Jovens pretenderam resolver as suas desavenças à base da bala…Segundo informações informais acerca do caso o Joven A.M.A efetuou tres disparos contra o também adolescente C. S. A que felizmente não for a atingido por nenhum dos disparos, mas que levou um grande susto em decorrência do fato ocorrido.
Segundo amigos dos envolvidos no caso, tudo ocorrera devido um desententimento ocorrido no dia anterior na Boate da Cidade.
A triste história pelo ponto de vista de segurança pública deixa-nos uma preocupante lição: “O porte de armas ainda continua sendo cultura por essas bandas” e ainda o mais preocupante de que os frequentadores destes ambientes não estão sendo revistados quando de suas entradas no local de festa, o que causa problemas de integridade fisica às pessoas que procuram tais ambientes para se divertirem.
Só para lembrar que porte de arma é crime… dá cadeira… disparo de arma de fogo em público, pior, e premeditação para tentativa de homicidio nem se fala. Graças a deus que os projéteis não atingiram nem o jovem envolvido na situação, muito menos alguém que ali estava…
Meu Xapuri está começando a ficar moderninho demais!!!! Como diria um grande locutor radialista de um programa da Radio difusora acreana…. Mundo do Cão….
Cruzes!!!!!!
Santa Raimunda do Bom Sucesso atrai milhares de devotos para caminhada religiosa
Assis Brasil recebeu neste final de semana, milhares de fies que participarão da caminhada religiosa em devoção a Santa Raimunda do Bom Sucesso, também conhecida como Alma do Bom Sucesso que se popularizou em toda região do Alto Acre e várias partes do Peru e da Bolívia. A caminhada acontece todo dia 15 agosto e, segundo a coordenação da Paróquia Nossa Senhora do Perpetuo Socorro, mais de três mil pessoas que visitaram o túmulo da Santa. O local fica a cerca de 35 km de Assis Brasil e parte do percurso é feito a pé como forma de sacrifício à Santa Raimunda numa caminhada de quatro horas, indo e vindo.
A caminhada é um verdadeiro desafio a fé dos devotos que enfrentam muitas ladeiras e estreitas pontes até chegar à capela da Santa. Durante o percurso muitas mães com crianças de colo, alguns deficientes físicos e idosos se esforçam para alcançar a multidão que canta e reza enquanto caminha de floresta adentro.
Muitos peruanos e bolivianos chegam ao município de Assis Brasil onde se preparam para enfrentar a caminhada. Alguns trazem consigo fotos, roupas e outros objetos de parentes e amigos para depositarem aos pés da imagem de Santa Raimunda. Muitos fieis também deixam na capela da Santa dinheiro, jóias e outros objetos valiosos que são recolhidos pela organização da Igreja Católica e guardados em um cofre.
Quem for participou do evento, foi levado em comitiva de carros que saia às 6 h da manhã da praça Central de Assis Brasil com destino a colocação Cumarú de onde começava a caminhada. Vários caminhões e camionetes foram mobilizados para transportar os devotos que estiverem no local de partida.
Bêbado resolve tirar cochilo no meio da BR 317 e causa acidente
O colono Sebastião Germano Martins, 46 anos, resolveu tomar todas depois de ir no enterro da irmã na tarde desta quarta-feira, dia 12, em Epitaciolândia que morreu de causas naturais. Depois de tomar todas e mais algumas, resolveu voltar para casa, no km 23 da Estrada Velha já no final do dia, indo a pé, só que, depois de andar apenas dois quilômetros, resolveu que deveria descansar e deitou no meio da BR 317.
Por volta das 20h00, o motoqueiro Antonio Lima da Silva, de aproximadamente 30 anos, também ia para sua casa localizada na zona rural quando foi surpreendido pelo bêbado que estava no meio da estrada.
Sem chance de desviar, bateu em Sebastião e caiu com a moto pela estrada sofrendo várias escoriações pelo corpo ficando desacordado. O Corpo de Bombeiros foi acionado até o local e prestou os primeiros socorros aos dois.
O motoqueiro e o bêbado dorminhoco foram levados para o hospital com várias lesões pelo corpo. A moto de Antonio teve sua frente toda quebrada devido à queda no asfalto e segundo informações, seu estado era considerado grave.
Já o ´bebum´, quando passar a ressaca e as dores, poderá ser responsabilizado pelo acidente e ter que pagar pelos danos por sua irresponsabilidade de querer tirar uma soneca no meio da estrada. Se fosse um carro, o resultado teria sido pior.
QUEM DISSE QUE ÍNDIO SEMPRE VIVE EM HARMONIA COM A NATUREZA?
Modelo de caça de índios Guajás no Maranhão não vem sendo sustentável
Antonio Carlos Quinto - Agência USP de Notícias: Mesmo sendo uma das bases da alimentação de índios Guajás da comunidade Awá, na região noroeste do Maranhão — divisa com o Pará —, a caça de algumas espécies de primatas pela comunidade indígena não vem sendo uma prática sustentável. Um estudo realizado no Instituto de Biociências (IB) da USP demonstrou que o número de bugios e macacos-prego abatidos está acima da capacidade de reposição populacional das espécies.
De acordo com o biólogo Helbert Medeiros Prado, que apresentou no IB um estudo sobre o tema, as análises que possibilitaram a constatação foram feitas por meio de exames de restos de ossos de animais. “Os fragmentos foram coletados em 1990 pelos pesquisadores Renato Kipnis, do IB, e Helder Queiroz, professor de pós-graduação do Museu Paraense Emílio Goeldi e da Universidade Federal do Pará”, explica Prado. Ele conta que o material era referente a um período de três anos de caça e colhidos no próprio acampamento indígena.
Pesquisadores do IB analisam em laboratório fragmentos de ossos dos primatas
Prado lembra que foram analisados no IB pouco mais de 19 mil fragmentos de ossos de diversos animais. “Só de primatas verificamos cerca de 7 mil”, estima o biólogo. Além de ossos de bugios (Alouatta belzebul) e macacos-prego (Cebus apella), o pesquisador também recebeu restos de macacos cuxiús (Chiropotes satanas) e macacos-de-cheiro (Saimiri sciureus). A partir da análise dos crânios foi possível estimar o quanto se caça a cada ano naquela região. Por intermédio de cálculos e modelos matemáticos, o pesquisador pôde comparar a relação entre a taxa de abate e quantidade de animais nascidos num período de três anos.
Acima do ideal
Os dados apurados apontaram que foram abatidos aproximadamente 312 bugios e 108 macacos-prego no referido período. “De acordo com um modelo de estudo denominamos que foram caçados cerca de 1,32 bugios por quilômetro quadrado por ano [km2/ano]”, explica Prado. Sendo assim, segundo um modelo ideal de sustentabilidade, o índice satisfatório seria de 0,09 animais por km2/ano para os bugios, e 0,35 animais por km2/ano, no caso dos macacos-prego — a pressão de caça foi de 0,46 animais por km2/ano. “Em ambos os casos fica a constatação de que não há um modelo sustentável de caça”, afirma o biólogo. Além da carne de animais e aquela obtida por meio da pesca, os Guajás também praticam a agricultura itinerante, sendo a mandioca um de seus principais itens em sua subsistência.
Partes de um macaco-prego capturado na região
Os dados gerados a partir do modelo matemático de sustentabilidade parecem estar corretos, uma vez que existe um consenso entre os Guajás do local de que nos últimos anos tem havido um declínio na quantidade de mamíferos de grande porte, especialmente de primatas, nas proximidades do assentamento. Isso tem forçado os índios a percorrerem distâncias cada vez maiores em suas atividades de caça – o que se configura uma forte evidência de caça não sustentável.
Acampamento típico usado como retiro de caça dos Guajás
Os Guajás ocupam uma área de aproximadamente 1.700 km2. Prado lembra que as terras indígenas correspondem a 20% da Amazônia Legal Brasileira. “Cerca de 50% do total de áreas protegidas na Amazônia consistem em terras indígenas. Em algumas regiões da Amazônia, como no noroeste do Maranhão, existe uma forte associação entre a presença de terras indígenas e a permanência da cobertura florestal”, descreve. “Nas últimas duas décadas verifica-se cada vez mais, no entanto, que a presença de cobertura vegetal por si só não garante a conservação da biodiversidade de forma abrangente, sobretudo onde há a pressão de caça é intensa”, explica.
Prós e contras
Em seu estudo Prado detectou fatores que atuam positiva e negativamente à sustentabilidade de caça no local. “Podemos destacar como fator favorável, por exemplo, a ausência de comércio de carne de caça entre os Guajás daquela comunidade, além de algumas expedições de caça de longa duração, o que distribui a pressão de caça por uma área mais ampla”, descreve. Ele lembra ainda que no caso dos bugios, houve uma maior quantidade de machos abatidos em relação às fêmeas, o que reduz o impacto sobre a espécie.
Por outro lado, há fatores negativos, como o aumento demográfico indígena naquela comunidade: em 1993 eram 94 na comunidade Awá. Hoje são 150. Há ainda o uso de armas de fogo. “No final dos anos 1980 haviam somente duas armas de fogo na comunidade. Em 1993 quase todos tinham armas de fogo. Atualmente, cerca de 70 possuem os armamentos.”
A pesquisa de mestrado O impacto da caça versus a conservação de primatas numa comunidade indígena Guajá, foi orientada por Renato Kipnis, pesquisador do IB, e Walter Alves Neves, professor do IB, além da colaboração do antropólogo Louis Carlos Forline, da Universidade de Nevada e do Museu Paraense Emílio Goeldi.
Antonio Carlos Quinto - Agência USP de Notícias: Mesmo sendo uma das bases da alimentação de índios Guajás da comunidade Awá, na região noroeste do Maranhão — divisa com o Pará —, a caça de algumas espécies de primatas pela comunidade indígena não vem sendo uma prática sustentável. Um estudo realizado no Instituto de Biociências (IB) da USP demonstrou que o número de bugios e macacos-prego abatidos está acima da capacidade de reposição populacional das espécies.De acordo com o biólogo Helbert Medeiros Prado, que apresentou no IB um estudo sobre o tema, as análises que possibilitaram a constatação foram feitas por meio de exames de restos de ossos de animais. “Os fragmentos foram coletados em 1990 pelos pesquisadores Renato Kipnis, do IB, e Helder Queiroz, professor de pós-graduação do Museu Paraense Emílio Goeldi e da Universidade Federal do Pará”, explica Prado. Ele conta que o material era referente a um período de três anos de caça e colhidos no próprio acampamento indígena.
Pesquisadores do IB analisam em laboratório fragmentos de ossos dos primatas
Prado lembra que foram analisados no IB pouco mais de 19 mil fragmentos de ossos de diversos animais. “Só de primatas verificamos cerca de 7 mil”, estima o biólogo. Além de ossos de bugios (Alouatta belzebul) e macacos-prego (Cebus apella), o pesquisador também recebeu restos de macacos cuxiús (Chiropotes satanas) e macacos-de-cheiro (Saimiri sciureus). A partir da análise dos crânios foi possível estimar o quanto se caça a cada ano naquela região. Por intermédio de cálculos e modelos matemáticos, o pesquisador pôde comparar a relação entre a taxa de abate e quantidade de animais nascidos num período de três anos.
Acima do ideal
Os dados apurados apontaram que foram abatidos aproximadamente 312 bugios e 108 macacos-prego no referido período. “De acordo com um modelo de estudo denominamos que foram caçados cerca de 1,32 bugios por quilômetro quadrado por ano [km2/ano]”, explica Prado. Sendo assim, segundo um modelo ideal de sustentabilidade, o índice satisfatório seria de 0,09 animais por km2/ano para os bugios, e 0,35 animais por km2/ano, no caso dos macacos-prego — a pressão de caça foi de 0,46 animais por km2/ano. “Em ambos os casos fica a constatação de que não há um modelo sustentável de caça”, afirma o biólogo. Além da carne de animais e aquela obtida por meio da pesca, os Guajás também praticam a agricultura itinerante, sendo a mandioca um de seus principais itens em sua subsistência.
Partes de um macaco-prego capturado na região
Os dados gerados a partir do modelo matemático de sustentabilidade parecem estar corretos, uma vez que existe um consenso entre os Guajás do local de que nos últimos anos tem havido um declínio na quantidade de mamíferos de grande porte, especialmente de primatas, nas proximidades do assentamento. Isso tem forçado os índios a percorrerem distâncias cada vez maiores em suas atividades de caça – o que se configura uma forte evidência de caça não sustentável.
Acampamento típico usado como retiro de caça dos Guajás
Os Guajás ocupam uma área de aproximadamente 1.700 km2. Prado lembra que as terras indígenas correspondem a 20% da Amazônia Legal Brasileira. “Cerca de 50% do total de áreas protegidas na Amazônia consistem em terras indígenas. Em algumas regiões da Amazônia, como no noroeste do Maranhão, existe uma forte associação entre a presença de terras indígenas e a permanência da cobertura florestal”, descreve. “Nas últimas duas décadas verifica-se cada vez mais, no entanto, que a presença de cobertura vegetal por si só não garante a conservação da biodiversidade de forma abrangente, sobretudo onde há a pressão de caça é intensa”, explica.
Prós e contras
Em seu estudo Prado detectou fatores que atuam positiva e negativamente à sustentabilidade de caça no local. “Podemos destacar como fator favorável, por exemplo, a ausência de comércio de carne de caça entre os Guajás daquela comunidade, além de algumas expedições de caça de longa duração, o que distribui a pressão de caça por uma área mais ampla”, descreve. Ele lembra ainda que no caso dos bugios, houve uma maior quantidade de machos abatidos em relação às fêmeas, o que reduz o impacto sobre a espécie.
Por outro lado, há fatores negativos, como o aumento demográfico indígena naquela comunidade: em 1993 eram 94 na comunidade Awá. Hoje são 150. Há ainda o uso de armas de fogo. “No final dos anos 1980 haviam somente duas armas de fogo na comunidade. Em 1993 quase todos tinham armas de fogo. Atualmente, cerca de 70 possuem os armamentos.”
A pesquisa de mestrado O impacto da caça versus a conservação de primatas numa comunidade indígena Guajá, foi orientada por Renato Kipnis, pesquisador do IB, e Walter Alves Neves, professor do IB, além da colaboração do antropólogo Louis Carlos Forline, da Universidade de Nevada e do Museu Paraense Emílio Goeldi.
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