Na noite da ultima terça-feira(24) foi preso em casa o Jovem Fábio Júlio Souza após segundo as autoridades locais denuncia anônima e posterior revista na residência fora encontrado cerca de 14g de maconha em forma de tablete. A prisão do jovem suscitou entre algumas pessoas da comunidade xapuriense uma velha discussão sobre o que é tráfico e o que é porte de entorpecente para uso pessoal.
Não quero aqui ser “O do contra”, mais antes de mais nada gostaria de dar minha opinião sobre o fato, concordo com a prisão, porém discordo dos procedimentos que se seguiram posteriormente.
A Policia Xapuriense cometeu uma tremenda gafe em demonstrar que o caso tem muito mais cunho pessoal do que propriamente um serviço à sociedade. Prova disso foi a exposição ao ridículo na internet da figura do rapaz em trajes íntimos dentro de uma cela, interessante que jamais no município houve tal exposição até mesmo em casos bem mais escabrosos. Outra situação foram os termos utilizados na pagina virtual da Associação dos militares como “começou a tremer mais do que "vara verde" e mesmo valorização do apelido “vovozona” em detrimento do próprio nome. Portanto acredito que a prisão foi correta porém os procedimentos demonstraram que se precisa avançar e muito em separar a defesa do bem estar público das questões pessoais.
O que entendi até o momento a qualificação do jovem como “traficante”, mesmo que a policia já o vinha investigando, está fundamentada apenas em suspeitas com exceção do flagrante de porte do entorpecente encontrado na residência, o que na nova lei de drogas 11.343/2006 em relação ao usuário e/ou dependente não mais prevê a pena de prisão (art. 28). Porém é válido ressaltar e deixar bem claro que tal ato de porte deixou de ser formalmente "crime", mas não perdeu seu conteúdo de infração (de ilícito).
O que entendi é que diante da situação de que o acusado ter grande acesso à comunidade juvenil da cidade, por suspeitas anteriores e por pessoas que aproveitam a situação para falara o que querem sem mesmo terem a preocupação de provar já foram o suficiente para qualificar o rapaz como “traficante”.
Algumas situações que deveriam também ser observadas no caso não estão sendo, réu primário, residência fixa, emprego com carteira assinada, bom desempenho escolar entre outros, o que demonstra que quando alguém comete algum ilícito e fica sob a tutela do Estado, mesmo que toda a questão legal permita uma série de direitos esses não os são observados. O que me deixa triste é que tal situação é imparcial, valendo somente para alguns.
Como em Xapuri quem quer que seja que se levanta contra uma opinião formada é taxado de inimigo, então vou ser um grande inimigo por que nesse caso não estou defendendo o acusado mais cobrando das autoridades em especial da policia militar que consiga separar o pessoal do profissional. Depois não vejo nenhum motivo para comemoração como foi o alarde na prisão de 14 g de maconha, já que em Xapuri toda a comunidade é sabedora que “rola” infinitas vezes maior quantidade do que essa, como é o caso de vários enriquecimentos que pairam a ilicitude, aquisição de bens móveis e imóveis incompatíveis com a renda dos proprietários, porém como gozam de boa “fama” as autoridades locais se fazem de cegas.
Estou publicando uma foto do rosto do Fábio Júlio em respeito à dignidade dele, porque acho absurda a imagem divulgada pela própria autoridade policial.