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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Cooperativas e Associações do Acre recebem R$ 4 milhões do Pronaf

Solenidade de repasse dos recursos foi realizada pelo Governo do Estado e Banco da Amazônia nesta quarta-feira.
As Cooperativas Bom Destino, Cooperquinari, Associação de Produtores de Borracha de Rio Branco (Senador Guiomard), Coopel (Plácido de Castro), Cooperacre (Rio Branco, Brasiléia e Xapuri), Cooperfarinha (Cruzeiro do Sul), Cooperfloresta (Xapuri), estão recebendo pela primeira vez recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) Agroindústria para expansão de suas atividades na formação de capital de giro.

O agente financeiro da transação é o Banco da Amazônia que, no total está financiando cerca de R$ 4 milhões para este ano de 2009 nas respectivas entidades. O Pronaf Agroindústria visa atender produtores familiares, cooperativas e associações que desejem beneficiar ou industrializar a produção. Os interessados em acessar essa linha de crédito devem estar enquadrados nos grupos C, D ou E do programa.

No Acre, o Pronaf é gerenciado pela Secretaria Estadual de Assistência Técnica e Produção Familiar (Seaprof) com recursos do Governo Federal, através do Ministério do Desenvolvimento Social, e nesta quarta-feira haverá uma solenidade de repasse desses recursos para os representantes das cooperativas e associações beneficiadas.

O capital terá impacto direto na atividade de 1.600 produtores familiares que trabalham com, palmito, amendoim, leite, castanha-do-brasil, farinha de mandioca, madeira e borracha, gerando mais de 100 empregos diretos e um faturamento de aproximadamente R$ 15,0 milhões por ano.

A solenidade de formalização do crédito do Pronaf Agroindústria aconteceu no pátio da Cooperacre - Rodovia AC 40 - Bairro Vila Acre

O BRASIL EM RECESSÃO

Crise atinge Brasil de forma rápida, forte e inesperada, avaliam economistas

Por:Luciana Lima
Brasília - O início de 2009 vem apresentando um cenário econômico difícil para o Brasil, com a divulgação dos resultados de dezembro. Os números indicam que a crise financeira internacional chegou ao Brasil de forma repentina e bem mais forte do que as previsões feitas pelo governo e pelo mercado.

“A crise atingiu o Brasil de forma mais intensa e mais rápida do que se esperava. Até que ponto isso vai nos afetar, ainda não se sabe, mas todos os sinais indicam que ela é pior do que se imaginava e já começa a apresentar seus efeitos no mercado”, afirmou o coordenador da Carta de Conjuntura Econômica do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), Marcelo Nonemberg.

Alguns dados de dezembro ainda nem foram divulgados - como o quadro de demissões, por exemplo - mas o governo já tem uma perspectiva pessimista e acredita que os números vão superar muito a média de demissões para mês, que é de 300 mil.

Para os especialistas, diante do novo quadro, o governo terá que se esforçar muito para continuar passando um clima de confiança para a população. “O papel do governo é passar essa confiança, até para não agravar a situação. Imagine se o piloto do avião demonstrasse que está com medo”, disse Nonemberg.

No entanto, os dados indicam que o primeiro semestre de 2009 será muito ruim e que essa crise deve demorar a passar, acrescentou o economista. Para ele, manter o otimismo é difícil. “As pessoas estão perdendo o emprego. As notícias ainda estão assustando as pessoas, que adiam as decisões de compra. A própria notícia da crise contribui para agravar a crise.”

Segundo Nonemberg, mesmo que o Banco Central (BC) resolva baixar bruscamente os juros para estimular o crédito, o efeito da medida só seria sentido no próximo semestre. Na próxima semana terça-feira (20), o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC se reunirá para definir a taxa básica de juros, e tanto o mercado quanto setores do governo esperam uma redução. Atualmente, o Brasil pratica uma das maiores taxas de juros do mundo, de 13,75%.

“Temos um efeito defasado. Ainda que o Banco Central decida cortar radicalmente os juros, continuamos sofrendo a influência da politica adotada no ano passado, mais especificamente, a partir de abril, que foi de elevação da taxa de juros. Isso vai demorar para ter efeito”, comentou.

De acordo com o economista Rogério César Souza, Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, um traço dessa crise que não esteve presente em recessões anteriores é a imediata queda no emprego.

“Normalmente, a produção industrial cai primeiro e as empresas procuram cortar horas extras, ou cortar o terceiro turno para depois pensar em demitir. Desta vez, porém, a intensidade foi tão grande que em outubro os níveis de empregos estavam firmes e em novembro já dava sinais de revés. Isso é sinal que que temos uma crise com elementos diferentes, inesperados e, por isso, difíceis de lidar.”

A análise de conjuntura feita por Rogério Souza para o Iedi aponta forte retração econômica no mês de dezembro, principalmente na produção industrial. “Os resultados serão anda piores que os de novembro”, diz o estudo, que destaca a redução da atividade industrial no estado de São Paulo.

“Os índices apontam uma queda na produção no principal parque industrial do país [São Paulo], que pode chegar a 13,5% em dezembro em relação a novembro. No estado de São Paulo, em dezembro de 2008, a retração seria de 12,6%”, destacou.

A análise também destaca dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), mostrando que a produção de dezembro, de 102 mil unidades, é a menor desde janeiro de 2000. A queda na produção de veículos foi de 38% em relação a novembro, mês que já havia registrado queda de 29,2% em relação a outubro.

Na comparação com dezembro de 2007, a produção de veículos diminuiu mais 53,8%. “O desempenho no acumulado do ano ainda pode ser considerado bom, 8,2%, embora muito abaixo dos 20,1% acumulados até setembro de 2008. Esse desempenho se deve aos nove primeiros meses do ano, quando o setor registrou um crescimento forte de produção.”

Foto: Carro Online

Raúl Castro e Cristina Kirchner dizem que Fidel está bem de saúde

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, encontrou-se nesta quarta-feira (21) com Fidel Castro, segundo a agência Noticias Argentinas. E no mesmo dia tanto ela como o presidente de Cuba e irmão de Fidel, Raúl Castro, garantiu que o ex-líder cubano está bem de saúde.

"Estive com Fidel, vi-o muito bem, foi um encontro emocionante", de meia hora, disse ela.
Em seguida, Raúl Castro afirmou que Fidel está “fazendo exercícios”, “pensando” e “escrevendo muito”.

Segundo Cristina Kirchner, Fidel disse a ela que havia acompanhado pela televisão a cerimônia de posse do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que lhe pareceu "uma pessoa sincera e com boas ideias", segundo a agência do governo argentino Telam.

A presidente argentina realiza uma visita a Cuba para renovar os laços políticos e econômicos e assinar acordos de cooperação.


Saúde de Fidel
A saúde de Castro, as incógnitas que semeia sua longa ausência e boatos sobre sua morte voltaram a se instalar nos últimos dias em Miami, "a outra Cuba", como exilados cubanos batizaram a cidade.

A última imagem divulgada do líder cubano Fidel Castro é de novembro de 2008, quando saudava o presidente chinês, Hu Jintao.

Dias atrás, no 50º aniversário da revolução que o sempre loquaz Fidel liderou na maior ilha do Caribe, mereceu de sua parte apenas um brevíssimo e frio comunicado de felicitações "ao povo heróico", comentaram.

Visto em público pela última vez há dois anos e meio, as "reflexões do comandante" na imprensa oficial eram seu mais recente veículo de contato, mas não são publicadas há um mês.

Semana passada, o presidente venezuelano Hugo Chávez comentou que o líder cubano Fidel Castro ainda "trabalha, escreve e acompanha a situação mundial".

"Recebi carta de Fidel. Todos sabem sobre a saúde dele, eu a conheço muito bem", declarou Chavez, respondendo a crescentes rumores sobre o estado do líder cubano.

No entanto, durante uma das edições seu programa radiofônico semanal, 'Alô Presidente', o próprio Hugo Chávez, principal interlocutor do velho líder cubano, chegou a fazer algumas referências à situação. "Sabemos que Fidel, aquele que percorria as ruas e povoados com sua figura de guerreiro, com seu uniforme, e abraçando o povo, já não voltará", disse.

Relações com a Argentina
Cristina Kirchner chegou domingo ao país, destacando o desenvolvimento da ilha na saúde e na educação, durante seu passeio pelo CIGB, uma das 50 instituições do pólo científico onde se fabricam cerca de 40 produtos biotecnológicos, incluindo vacinas, que Cuba vende para 50 países.

Essa é a primeira visita a Cuba de um chefe de Estado argentino em mais de duas décadas, após a de Raúl Alfonsín, em 1986. Nos últimos anos, as relações bilaterais se arrefeceram pelo caso da médica opositora Hilda Molina, que há 14 anos reivindica do governo cubano permissão para visitar o filho e seus dois netos em Buenos Aires.

Guerra de Agua

Estou participando do maior site de troca de informações do Brasil o DIHITT, onde jornalistas, bloqueiros e um monte de amigos troca informações de todo cunho jornalístico imaginável, e em uma dessas trocas, recebi do Jornalista Danilo Pretti Di Giorgi, um artigo originalmente publicado no Correio da Cidadania, muito interessante e resolvi partilhar com os leitores desse espaço.

"Em dias de calor paulistano, por falta de uma praia ou de um rio limpo para nadar, enchemos no quintal uma pequena piscina portátil. Dia desses, domingo de verão, deixei meu filho dentro da baleia azul de plástico e pedi para que mantivesse a mangueira ali dentro apenas até enchê-la. Saí de perto e, logo depois, quando voltei para ver a quantas andava o processo, vi que a piscininha estava cheia, mas meu menino não havia fechado a torneira: brincava com o jato d’água, direcionando-o para onde sua imaginação infantil mandava, ora regando o jardim, ora brincando de fazer chover.

Já me preparava para falar-lhe sobre a importância ecológica de economizar água, um recurso tão valioso e tal e coisa, quando me contive e resolvi deixá-lo brincar em paz pelo menos por mais alguns minutos. É que me lembrei que o uso doméstico corresponde a uma parcela ínfima da água doce usada pelos seres humanos no Brasil. Os dados variam um pouco dependendo da fonte consultada, mas a grosso modo, 70% do total é consumido no agronegócio, 20% na indústria e apenas 10% corre pelos canos das casas e apartamentos.

Entretanto, quando o problema é abordado pelos grandes meios de comunicação e em campanhas de órgãos públicos, é lembrado apenas o “comportamento leviano” dos urbanos, que aliviam o calor lavando um carro, uma calçada ou se divertindo numa piscininha. Ou que se refazem de um dia cansativo tomando um banho um pouco mais demorado no inverno. Reparem que o foco é sempre direcionado apenas para o consumidor doméstico: devemos tomar banhos de cinco minutos, usar a água da lavadora de roupas para lavar o quintal e fechar a torneira enquanto escovamos os dentes. Lavar o carro? Só se for com balde, porque assim você gasta não sei quantas vezes menos água do que com mangueira.

Por que esta patrulha, que faz-nos, cidadãos comuns, ficarmos neuróticos a ponto de censurar uma criança por brincar com a água? Por que não direcionam sua artilharia também para as gigantes da indústria alimentícia, como as processadoras de carnes, altamente poluidoras e que utilizam grandes quantidades de água limpa em seus processos, muitas vezes devolvendo-a contaminada para o ambiente?

Por que não questionam o sojicultor e o sucroalcooleiro que, ao irrigarem suas megaplantações com água limpa, levam de volta para os rios e impregnam a terra com venenos, como agrotóxicos e fertilizantes produzidos a partir de petróleo? Ou, ainda, por que não questionam a necessidade de alguns processos que consomem (e poluem) quantidades enormes de água, como, por exemplo, as indústrias de aço e de tecidos, refinarias de petróleo e cervejarias, entre muitas outras? Eu tenho um palpite: porque eles ganham rios de dinheiro com as atividades que poluem os rios.

O mesmo raciocínio pode ser utilizado com relação ao consumo de energia elétrica. Enquanto fazem-nos sentir culpados pelo banho quente ou por deixar a geladeira aberta por mais do que alguns segundos, a produção de alumínio responde sozinha por mais de 5% de toda a energia elétrica consumida no Brasil. Vale destacar que, na quase totalidade dos casos, os processos produtivos, sejam eles na indústria ou no agronegócio, não são eficientes, até porque muitas vezes as empresas contam com subsídios governamentais e pagam pouco pela água e pela energia elétrica que consomem. Quase sempre há perdas significativas desses insumos, que poderiam ser reduzidas com um pouco de boa vontade para a tomada de algumas medidas relativamente simples. Mas não se vê governo ou mídia cobrando a implementação dessas medidas. Um grande mistério.

É verdade que, na maior parte dos casos, a água usada no agronegócio e na indústria não passa por tratamento para tornar-se saudável para o consumo, como a que chega às nossas torneiras. São as chamadas águas de reuso ou aquelas captadas diretamente dos rios. Poder-se-ia, portanto, contra-argumentar por aí. Mas perceba que a alta cada vez mais acentuada no custo dos processos de purificação da água está ligada diretamente com o crescimento da poluição, a maior parte dela causada pelos, voltando para o começo, processos industriais e agropecuários. Trata-se de um ciclo interligado em todas as suas muitas fases, que não pode ser analisado separadamente.

Pior: o próprio poder público, que cobra da população uma atitude responsável, não parece importar-se: quase a metade (45%) de toda a água que se retira de mananciais para abastecer as capitais brasileiras é perdida antes de chegar às casas e atender à população, na maior parte dos casos por conta de vazamentos nas tubulações (ou, importa-se sim, mas importa-se apenas em nos culpar, não em resolver o problema). Não, não é brincadeira. São dados oficiais do Ministério das Cidades, a partir de informações fornecidas pelos órgãos estaduais: quase metade da água tratada pelas “Sabesps” Brasil afora não chega nas torneiras pela falta da manutenção. Então, ao invés de focar apenas no consumidor, os governos poderiam cuidar da parte que lhes cabe e consertar os canos. Mas, não!

Mais alguns dados alarmantes relacionados ao governo (e perceba que “governo” quando tratamos desse tipo de questão são todos, os atuais e passados, desde sempre): apesar de ser bastante divulgado que mais de 60% das residências no Brasil já contam com coleta de esgoto, pouca gente lembra que apenas 6% do esgoto é tratado. O restante é despejado in natura em rios e lagos, novamente encarecendo o tratamento da água que chega às casas e alimentando o ciclo da sujeira e do descaso.

A moral dessa história é que continuamos nós, cidadãos comuns, arcando com todo o ônus e passando longe do bônus. Para não mexer com interesses poderosos (dos quais são parte integrante), governo e mídia preferem transferir o problema para o elo mais fraco, eu, você e nossos filhos, mesmo que possamos fazer muito pouco pela solução do problema. Veja só: somos 180 milhões, responsáveis por 10% do consumo. Não seria mais inteligente compartilhar os esforços com aqueles que consomem os 90% restantes, ainda mais considerando que eles são em número infinitamente inferior? E trabalhar arduamente para eliminar as perdas na rede de distribuição e para universalizar o tratamento de esgotos?

Não vou, por conta disso, deixar de economizar água. Vou também continuar adotando as práticas defendidas nas reportagens especiais que sempre surgem nos meios de comunicação sobre o colapso do abastecimento nas grandes cidades - até porque elas são “tecnicamente” incontestáveis. Varrerei a calçada, apesar de saber que a vassoura hidráulica é muito mais divertida. Aproveitarei a água da piscininha e captarei água da chuva para regar meus vasos nos dias de seca, apesar do trabalho que dá. Fecharei a torneira enquanto escovo os dentes, apesar de adorar o barulhinho da água correndo enquanto medito durante minha higiene bucal. Farei tudo que venho fazendo, sabendo que minha parte faz diferença. Mas não me peça para não deixar as crianças se divertirem brincando de guerra de água no quintal num dia de calor.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Justiça. Como Entendê-la?

De acordo com o Novo Dicionário Aurélio, a Justiça pode ser definida como virtude que consiste em dar a cada um, em conformidade com o direito, o que por direito lhe pertence.

Do ponto de vista filosófico, o sentimento de Justiça é intrínseco à consciência humana, isto é, no homem normal dotado de discernimento do bem e do mal, do certo e do errado, do que é justo e injusto.

A quebra desses princípios, norteadores da vida humana, provocam o desequilíbrio, a discórdia, o conflito, a ausência da paz social, trazendo como conseqüência, a indignação, o inconformismo, a busca da restauração através do amparo jurisdicional, do bem jurídico lesado, a quem de direito.

Através dos tempos, notamos que, desde Aristóteles e São Tomás de Aquino, passando por Hobbes, Montesquieu e Rousseau, que se vêm sustentando que cabe à lei definir o que é justo e injusto. Justo é o que está permitido em lei, e injusto o que está proibido. Mas, modernamente, não se admite mais isso depois que o fascismo mostrou o que é possível fazer de uma sociedade usando do poder legislativo de forma ilegítima. No passado esta concepção tinha um fundamento, que era o de acreditar que jamais o governante usaria do poder para prejudicar o bem público ou o bem comum.

Os filósofos do direito, partidários do direito natural, tanto quanto outros, negadores desse direito, coincidiam em fazer do contrato social a fonte do poder do governante ou príncipe, vendo neste mesmo contrato a segurança de que o detentor do poder executivo não iria abusar do poder contra o povo. Para os jusnaturalistas, que acreditavam na existência de direitos naturais anteriores ao Estado, o direito estabelecido pelo contrato social não era mais que a positivização desses direitos, e para os que não admitiam direitos naturais pré-estatais, como Hobbes por exemplo, a segurança de que o governante faria tudo em prol do bem comum estava no princípio de obediência ao contrato (pacta sunt servanda).

Para Kelsen, a justiça é como a felicidade social. Uma explicação que seria quase matemática se o sentido da palavra felicidade não fosse tão complexo quanto o de justiça. Desta maneira, deve-se, portanto, perquirir o sentido da palavra felicidade, pois, o que pode ser a felicidade de alguns, pode, também, ser a infelicidade de muitos outros, o que torna o termo felicidade um tanto quanto subjetivo.

Kelsen afirma, ainda, que o conceito de felicidade deverá sofrer radical transformação para tornar-se uma categoria social: a felicidade da justiça. É que a felicidade individual deve transfigurar-se em satisfação das necessidades sociais. Como acontece no conceito de democracia, que deve significar o governo pela maioria e, se necessário, contra a minoria.

Mas, a justiça também depende de uma hierarquia de valores, como, por exemplo, os valores vida e liberdade. Qual seria o valor hierarquicamente maior? Uns diriam ser a vida o bem supremo; outros argumentariam ser a liberdade o maior bem, posto que de nada valeria a vida sem liberdade. Neste sentido, poder-se-ia enumerar vários casos em que as hierarquias dos valores seriam diferentes, chegando-se a conclusão de Kelsen: "é nosso sentimento, nossa vontade e não nossa razão, é o elemento emocional e não o racional de nossa atividade consciente que soluciona o conflito".

Já, em Aristóteles, encontramos sua célebre frase que diz: "A justiça tem pouco valor". Este era um dito corrente entre os gregos, para os quais ela se baseava mais na aparência das coisas que na realidade ou na verdade. Será que hoje, o conceito e o valor de justiça mudaram muito? Certamente as oscilações foram grandes - não importando se para pior ou melhor -, portanto, em tempos modernos, não podemos falar em justiça sem pensarmos nas conseqüências que ela acarretará, isto é, nas sanções positivas ou negativas impostas pela justiça.

As sanções tomam a natureza do direito a que servem, falando-se então de sanções penais, administrativas, tributárias, civis, trabalhistas, constitucionais, internacionais, processuais, comerciais etc. No entanto, modernamente, a palavra sanção é mais usada no sentido de pena, punição, castigo, para a inobservância de uma lei. Mas os dicionários definem também como sanção a recompensa ou prêmio para quem observa a lei. Sanção seria assim, em sentido genérico, toda conseqüência ou resultado de uma conduta, podendo ser de caráter premial ou penal.

Por fim, devo dizer que no âmbito da justiça, dentro dos parâmetros e paradigmas do direito e em conformidade com a lei, todo o tipo de sanção é legal... até que se prove o contrário.

Será?

BUSH: UM MONSTRO OU UM INOCENTE ÚTIL?

Pelo menos em uma coisa todos concordam: FOI O PIOR PRESIDENTE QUE OS AMERICANOS JÁ TIVERAM.Chamado por muitos de maléfico,extremista,idiota e “pau mandado”,o infeliz cowboy do Texas(dizem que lá só proliferam índios e cavalos:mataram os índios,ficaram os cavalos),entrou na Historia pela porta dos fundos,com eleição fraudada pelos sionistas que tomaram o poder:Rumsfeld,Cheney(este,um oportunista),Rice e o Paul Wolfwicz,que,se o mundo fosse sério,deveriam estar condenados pelo Tribunal de Haia.

Já o Bush,com seus dois neurônios à serviço dos falcões,pela Historia será julgado, execrado pelo seu povo,voou para o Texas de onde jamais deveria ter saído.

Que tal examinarmos o conjunto da sua obra?
Guantánamo,uma mancha negra no país dos fundadores.
Exploração dos países pobres.
Onze de setembro,
Rejeição aos “diferentes”.
Guerra!
Empulhação da comunidade cientifica e mordaça na imprensa.
Wall Street,onde o touro virou boi de pasto.
Abu-Graid(querem mais?)
Lágrimas e sofrimento em todo o mundo.
Kestiel(falcões á solta).
Extremismo de direita.
Racismo,elevado ao nível mais alto.
Bajulação e unilateralismo para favorecer Israel(o 51ºestado americano?)
Usura.
Subserviencia ao mercado,que resultou no débâcle econômico.

Horror!

domingo, 18 de janeiro de 2009

Charge do Dia

Aos mais desavisados pdem até se perguntarem por que da minha escolha de um antigo comerciante para expor suas idéias in memorian, mas o Sr. Alberto Zaire não foi somente um comerciante, que de fato conhece a sua trajetória o descreve como: o seringalista, político e professor da Faculdade de Direito, e foi testemunho das festas de São Sebastião desde 1925, até sua morte em meados da década de 90, e tive acesso a uma entrevista concedida ao Jornal O Rio Branco em 1981, onde o mesmo explicou detalhadamente os aspectos sócio-econômico-culturais da Festa de São Sebatião, bem como os seus principais mo¬mentos de ascensão e decadência.

ORB — Qual a importância histórica da fes¬ta de São Sebastião, em Xapuri?
A.Z. — A festa de São Sebastião tem, para os xapurienses, a importância da funda¬ção da cidade. É uma festa de religiosidade. Ela desempenhava, outrossim, uma espécie de aconchego, de cordialidade, de colabora¬ção de tantos quantos moravam em Xapuri: patrões, empregados, magistrados. Todos se uniam em torno desta festa e por causa dela éramos felizes, pois todos nós observávamos que no decorrer da semana que antecedia a festa e na seguinte que marcava sua despedida, não se verificava um só crime, o que pro¬va que o seringueiro, quando vinha do serin¬gal para festejar o seu santo, trazia no coracão aquela vontade de dar vazão à prisão que o retinha nos seringais durante 11 meses, mas, também, preso a uma fé inabalável, ele vinha com o propósito de pagar suas promessas, de rezar, enfim, demonstrar uma religiosidade que hoje pouco se obser¬va. Era uma festa que cumpria uma finalidade social das mais importantes. Haja vista o seguinte: eu lembro quando menino, no dia da festa de São Sebastião, o lei¬lão era uma das coisas mais bonitas que se podia presenciar. Os seringueiros dispu¬tando, em torno de muitas brincadeiras, aquelas oferendas, que eram dadas para o santo. A construção da própria igreja deve-se à festa de São Sebastião. A disputa de uma simples flor, de um saco de bombom, de uma lata de goiabada, marca peixe, eram motivos para as maiores brincadeiras e as maiores rendas se podia observar numa festa pagã e ao mesmo tempo religiosa. Hoje, lamentavelmente, o que se ob¬serva é um pouco de religiosidade e muito de brincadeira, de passatempo, promis¬cuidade e vontade, de uns poucos, de fazer negócios. Hoje, não se vê a espontaneidade da festa de São Sebastião. Hoje, você não vê a classe alta, a classe média e bai¬xa. Hoje, a festa de São Sebastião é um desfile de miséria, onde a própria classe média não tem mais entusiasmo, mas não tem entusiasmo nem com a sua religiosi¬dade. Ela acompanha a festa por determinação histórica. Uns poucos que moram em Rio Branco vão pelo hábito de ir, mas não pelas mesmas circunstâncias que mar¬caram o brilhantismo e a beleza daquela festa.

ORB - Poderia explicar melhor a colocação feita sobre festa pagã e cristã ao mes¬mo tempo?
A.Z. — Os aspectos pagãos se observam mais nas festas dançantes, nas reuniões, nas brincadeiras, nos aperitivos que, às vezes, chegavam às raias da cachaçada, mas uma cachaçada conseqüente, onde todos procuravam externar sentimentos, na maioria das vezes, sadios. Esses homens brincavam, contavam anedotas, não se via este espírito que hoje divide e comanda a mentalidade dos que bebem. Hoje, o que nós verificamos é uma meia dúzia de rapazes a beber, com o propósito de aflorar nem sempre atitudes louváveis. Ontem, não; o seringueiro passava onze meses no seringal e viajava de três a quatro dias, a pé, para chegar dias antes da festa; recolher o saldo feito a propósito. Esse saldo eles queimavam dando parte em louvor ao santo e parte com o seu próprio festejo, a sua bebida, sua alimentação. O paganis¬mo desempenhado àquela época, em que hoje nos acolhitam os sonhadores, con¬servadores. Mas esse conservadorismo tem a sua razão de ser. Era um paganismo que mexia com todo mundo, que procurava mesmo àqueles que não gostavam de festa, que não tinham religiosidade, a saírem à rua para engrossar a procissão. Era um pa¬ganismo que contagiava. A religiosidade dentro desse paganismo que eles enxertavam e que formava, por assim dizer, um hibridismo social (se assim podemos ex¬plicar), era válido. O paganismo era em decorrência de determinados atos que saíam com espontaneidade da cabeça de cada um, com propósitos bons e sadios, mas nem sempre compreendidos por alguns. Era um paganismo em torno de transformar o santo num padroeiro de uma efêmera farra; transformar a procissão em uma espécie de espetáculo capaz de parar por alguns momentos ilibações alcoólicas ou uma festa paga que estava se desenrolando. Era um paganismo que, de certa forma, não enfeiava, não diminuía para aqueles que professavam e até se tornavam um pouco me¬nos violentos de que aquele paganismo que nós temos ciência como portadores de curso universitário. Aquele paganismo que a história nos conta. O paganismo que nós falamos aqui, da festa de São Sebastião, e de outras festas que têm como pa¬droeiro a movimentação, como em Tarauacá, Cruzeiro do Sul e qualquer outro lu¬gar, é um paganismo que podemos denominar de padre-nosso misturado com um pouco de cachaça, sem perigo, inconseqüente, sem qualquer admoestação para quem quer que seja.

ORB - Desde quando o senhor testemunha a festa de Xapuri?
A.Z. - Desde 1925. Com idade de sete anos, quando eu já tinha consciências, eu acompanhava empolgado aquelas festas, aquelas promessas. E outro fator é que a natureza hoje está castigando o Acre, se não bastasse a criminosa atitude de desa¬tivar os seringais mesmo primários, um crime praticado não contra Xapuri, mas ao Acre todo, tornando uma das classes mais respeitadas, que era a de seringueiros, em extinção.

ORB — Quem praticou esse crime?
A.Z. — Quem praticou, lamentavelmente, foi o governo brasileiro, a pedido ou por insinuação ou sugestão do americano, que tinha para abastecer suas fábricas de pneus, em São Paulo, a fonte produtora que lhes era de propriedade sua no Ceilão, lá no Oriente. Eles pensavam que aquilo não terminava nunca mais. Então, primei¬ramente, eles montaram as fábricas de pneus, depois desenvolveram as fábricas de automóveis, tudo fizeram para acabar com dois fatores altamente econômicos e que traziam as melhores vantagens sob o aspecto financeiro para o país: acabaram com as estradas de ferro, mostrando através de dados mentirosos que elas seriam impraticáveis, anti-econômicas.

Quando a própria América do Norte e a Rússia possuem a maior quilometra¬gem de estradas de ferro no mundo, prova que o meio de transporte mais barato ainda é a estrada de ferro. Segundo, desativaram a principal economia da região, que dava para o Brasil quase dois terços da melhor borracha do mundo. Hoje, o Acre é um pedinte. O que os governos passam aqui, em termos de dificuldades, é uma decorrência, uma conseqüência deste crime praticado contra o Acre. Podía¬mos desativar os seringais, mas de que maneira? Deixando-os como estavam e pro¬curando desenvolver e estimular outros meios de produção e de riquezas, e melho¬rando ou atualizando métodos mais modernos para a produção de borracha. E di¬gam o que disserem: borracha no Brasil, só no Acre e no vale do rio Acre, o resto é borracha inferior. Esses crimes que se cometeram na Amazônia e, especialmente no Acre, jamais serão esquecidos e deram, por decorrência, num problema social que nenhum governo do Acre terá meios e modos para solucioná-los, nem o gover¬no Federal. O que verificamos, melancolicamente, é a extinção de uma classe. Uma classe à qual todos nós devemos, primeiramente, este território; segundo, os filhos do Acre, os acreanos, devem a sua existência, o que hoje somos, o que o Acre é e o que poderia ser muito mais, àqueles nordestinos que tiveram a coragem de vir para cá desbravar nossas matas e desenvolver a produção da borracha. Pois, foram atacados pelas costas, de um momento para outro, se viram inteiramente abandona¬dos à sua própria sorte e considerados, hoje, como uma classe em extinção. Do seringalista, então, não quero nem falar, porque embora eu tenha sido, saí antes desse debacle e, hoje, o que se vê são homens envelhecidos pelo tempo, com vergonha de dizer que foram seringalistas. Se, ontem, ser seringalista significava apogeu, fortaleza, fortuna, hoje, falar em seringalista é motivo para deboche, gracejos, sorrisos, de¬cepções e vergonha.

ORB — Ê possível destacar, cronologicamente, os momentos de apogeu e decadência?
A.Z. — A festa de São Sebastião, de certa forma, sempre esteve ligada à situação econômica. Quando a borracha tinha a maior procura, evidentemente, a festa apresentava-se numa exuberância muito maior. O motivo que a tornava grandiosa era exatamente o dinheiro recolhido por patrões, por seringueiros, enfim, por todo mundo. Inclusive a presença dos turistas de todo o Acre, e de grande parte da Bolívia, acontecia porque toda a região era bafejada pela situação econômico-financeira provocada pelos produtos regionais. A festa vivia em função desta situação. Mas a época do apogeu que vi e guardei firmemente foi no período de 1944/46. Foi quan¬do a borracha tomou um incremento espetacular. Foi nesta ocasião que vi a festa ser uma coisa... Difícil de contar, inclusive. Nos anos seguintes observou-se a borra¬cha não alcançar preço igual ao de 46, com a última grande guerra. Contudo, ela continuou com preço compatível ao da mercadoria, produtos de consumo. Então, como a situação financeira do país mantinha-se num equilíbrio quase perfeito, a festa não se ressentia de um preço exagerado da borracha porque ela se espelhava, na verdade, no valor dos produtos de consumo e esse equilíbrio proporcionava um cunho de grandeza. Já de 46 a 70, a festa ainda se manteve bem porque a borracha tinha os seus preços estabilizados pelo Banco da Amazônia. De 70 para cá, quando houve praticamente a desativação dos seringais, a festa de São Sebastião foi perdendo não a sua religiosidade, mas a sua freqüência, os seus grandes estimuladores, que eram exatamente os seringueiros. Entramos numa fase em que o seringueiro passou a ser um intruso dentro dos seringais, por força de circunstâncias, vendidos. Os seus compradores precisavam das terras para desenvolver a pecuária, que diziam desejar desenvolver. Com a aquisição das terras, os fazendeiros não conseguiam conviver com os seringueiros, para eles (fazendeiros), figuras estranhas e elementos quase que indesejáveis. O seringueiro passou a ser nômade, passou a fugir, a sair. Essa fuga deu um certo baque na freqüência da festa, conquanto os seringueiros eram o grosso da festa. Eles eram o centro e representavam a própria classe média. Hoje, a classe média está pobre, o seringueiro não existe, o dinheiro está difícil. Eu estive lá agora e senti. Se não fosse um comerciante ter jogado na praça Cr$ 4 milhões, você teria visto a tristeza na festa deste ano. Outra particularidade: as luzes que mantinham acesas durante os quatro primeiros dias que antecediam a festa, para manter acordada a população flutuante, além dos navios gaiolas e as chatas que permaneciam no porto de luminárias acesas, davam um tom de encantamento e beleza. Xapuri era, à época, uma Veneza. Não a italiana, mas a Veneza dos pobres. As águas do rio colaboravam para isso. Hoje, o rio não sustenta suas águas mais do que uma semana. Ocorre que o nosso sistema ecológico foi mexido e hoje temos chuvas fora de época. Uma série de coisas aconteceu no Acre, inclusive, na festa de São Sebastião. Diria que o que se vê, agora, na festa do santo é um pouco de devocão, uma certa religiosidade, decepção, tristeza e muitas saudades dos dias bonitos que se foram, os quais não acredito que voltem mais.

ORB - A festa de São Sebastião é um fato econômico ou religioso?
A.Z. — Considero a festa de São Sebastião um fato social em si. Dentro desse fato social partimos para ser, também, um fato econômico e ter conotações religiosas bem profundas. Ela, através da religiosidade que é inata no brasileiro, provocou todos esses outros fatores: o fator social da freqüência e com seus reflexos; além do fator econômico e financeiro que dela decorrem, o que se vê, infelizmente, num campo muito restrito, em decorrência do que se verifica em todo o Acre: dificuldade de dinheiro, negócios parados, governo sem dinheiro, orçamentos paupérrimos.
E, por fim, o político xapuriense fez este desabafo:
- "Fico muito satisfeito quando vejo alguém se interessar pela história de uma terra. Porque lamentavelmente (aí eu faço questão de deixar consignado o protesto contra aqueles que, embora tendo obrigação de preservar e difundir a nossa história, que nada mais é do que a tradição de um povo, não o tem feito), o Acre — po¬dem observar — dentro de mais 30 anos será um povo sem história e um Estado sem tradição. Todas as coisas que poderiam representar patrimônio histórico foram der¬rubadas ou estão para cair ou desaparecer. Não se vê o menor interesse das autoridades públicas (neste ponto eu generalizo, não faço distinção político-partidária), e o que se verifica em torno de Porto Acre é um absurdo: Porto Acre representa para o acreano uma relíquia histórica, no entanto, não serve nem como galinheiro para criar galinhas de raça, muito menos para criar bois. O que se verifica no prédio, onde começou a Revolução Acreana, em Xapuri, na época transformado em boate (grifo meu: em 1981 funcionava na Casa Branca a Boate Disco Laser, e dou um doce para descobrirem quem era o autor da idéia..... ele mesmo.... Vanderley Viana.....kkkkkk). Não se zelou, incrível como pareça, por esta amendoeira nem vai se zelar, não se zelou por aquele tabocal que fica em frente ao prédio, lá o local que deu guarida aos brasileiros quando quiseram invadir a cidade de Xapuri na calada da madrugada do dia 6 de agosto. Enfim, contra esses descasos lanço meu protesto e deixo ainda minha esperança de que os governantes, os responsáveis pelos nossos destinos se lembrem de gastar alguma coisa para preservação de nossa história, de nossa tradição, porque serão recompensados pelo muito que o futuro dirá, em termos de História, a respei¬to do que éramos e o que somos."


E vou falar mais o que depois dessa?

No próximo artigo tratarei de causos antigos que aconteciam durante a festa, só para descontrair um pouco.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Voltando ao Assunto Crise

Personagens Inesquecíveis do “Vinte”

Como antes já havia comentado, não somente a Festa do Vinte de janeiro ficou famosa, mas também seus personagens, sejam eles milhares no anonimato ou aqueles que diretamente contribuíam para que a Festa acontecesse, é comum em conversas bem amigáveis e de muito respeito com os “mais velhos” sempre, entre um gole de café e, às vezes, uma dose de pinga, vão contando e explicando coisas de épocas distantes. Em meio à conversa, um pára e pede ajuda ao outro para relembrar um fato. Na maioria é sexagenária. Falam sobre danças, músicas e costumes. Citam nomes de grandes mú¬sicos regionais que animavam os bailes de 20 de janeiro, entre os quais Zeca Torres, Felix Pereira, Pituba, Olívia, Oscar Capivara, Beijuba, Aurélio e outros. Torres, Pi-tuba, Oscar, Aurélio e Beijuba já não tocam mais trombone, saxofone e acordeon. O Pituba morreu velho e esquecido; Torres foi traído pelo coração; o Oscar (me¬lhor saxofone do Norte do Brasil) segundo os que o conheciam foi morto em 1980, pelo trânsito de Rio Branco. O Aurélio, talvez o musico mais importante da época, dormiu e nunca mais acordou. E, por fim, o Beijuba morreu acometido de doença grave. Todos eram artistas e xapurienses que aqui começaram seus primeiros passos entre uma rodinha de amigos e outra, entre os grupos de jovens da paróquia de Xapuri, entre as diversas ações do Grêmio de Estudos Madre Petronilia Trinca do Instituto Educacional Divina Providência, desenvolveram suas habilidades musicais que entre muitas coisas alegraram inúmeras festas de São Sebastião. Segundo relatos no período de 50 e 60, esses músicos tocavam marchas, valsas, xotes, rancheiras, baiões, sambas e chorinhos, nos tantos salões existentes em Xapuri,entre eles o “Pega”, o “Pau no meio” o Ponto Chique... etc.

Nessas conversas os assuntos são muitos, das belas mulheres que chegavam à festa para 'faturar" e dos “marreteiros” (hoje camelôs) faladores que mostra¬vam um objeto qualquer e diziam: "Pague um e leve dois."

PAGAMENTO DE PROMESSAS

Comumente os músicos Xapurienses acompanhavam desde o dia 10 de janeiro até a festa dia 20, alegrando as “noitadas” com suas belas canções e ladainhas cantadas aos Santo Padroeiro, onde destaca-se o famoso “Salve, salve... São Sebastião” “O Povo de Deus” “Vim te pedir” e “Maria mãe dos caminhantes” e por incrível que pareça segundo os depoimentos o que mais emocionava sempre era o Hino Acreano.

Geralmente essa ação dos músicos era encarada como obrigação em agradecer as dádivas e o Dom da música, atribuídos ao Santo, era como se fosse um pagamento de promessa. E por falar em promessas, quando falamos nessa questão os idosos explicam, com minúcias, as mais diversas maneiras de se pagar promessas ao santo padroeiro.

- "A gente, quando alcançava uma graça, escolhia a maneira de como acompanhar a procissão, não importava o sacrifício, se um filho, a mulher ou qualquer outro parente havia sido salvo de doenças ou outro perigo. Alguns traziam "pelas" de borracha, facas de seringa* *, espingardas, facões, machados ou qualquer objeto de trabalho. Outros vestiam roupões (mortalhas) para acompanhar o santo. No final, tudo era depositado no altar. Tinham os que traziam animais, como porcos, galinhas, carneiros e até novilhas" — diz o velho Simeão Lima, do seringal Iracema.

Interessante que nas conversas as pessoas analisam e comparam as épocas, à medida em que a conversa vai se prolongando. É preciso estar atento, saber ouvir. Não se trata de desenrolar rosários de histórias saudosistas, mas de mostrar com perfeição o que acontecia nos “Vinte” passados. Há momentos em que esses idosos alegres endurecem as feições parecendo fazer ligação do passado ao presente. Parece que se dão conta de uma outra realidade, de tempos novos. São pessoas que têm vontade de falar coisas boas, de enaltecer a grande festa de Xapuri, mas é exatamente ela que serve de espelho onde os velhos trabalhadores se refletem.

O 20 de janeiro é um termômetro que serve para medir o grau de positividade ou negatividade na vida do município. Positivamente esta aferição era feita ao longo dos anos pelos saudosos xapurienses Raimundo Paes, Guilherme Lopes, Geremias, Jacob Rosendo, ex-políticos e comerciantes desta cidade. Segundo anotações da época em meados 1980, eles já sabiam que o apogeu já havia passado.

Nas crônicas do saudoso Josué Fernandes nos editoriais do Jornal Rio Branco datado do ano de 1981, quando por essas bandas veio realizar uma série de entrevistas sobre a festa e três delas merecem atenção porque são personagens históricos que povoam o imaginário Xapuriense veja em síntese o que foi escrito na coluna naquela época:

-Francisco Fidélis, ex-seringueiro com mais de 18 anos dedicados à seringa e uns tantos outros à agricultura, explica: "Quem dava movimento à festa de São Sebas¬tião eram os seringueiros, que trabalhavam o ano inteiro porque tinham devoção a gastar. Havia a certeza de que no ano seguinte tudo estaria recuperado e podia-se fazer outra despesa." Fidélis afirma que hoje não é mais possível fazer tal coisa, a situação está dura e "quem se arrisca vai sofrer". E continua:

- "O seringueiro já não existe mais. Foi expulso da colocação. Teve que ceder ao sulista que não se interessa por borracha. Milhares de seringueiras foram queimadas." E pergunta: "Você viu agora os montes de borracha que era acostumado a ver?" (Balancei a cabeça negativamente). O velho xapuriense prossegue: "Essa borracha que sumiu é que sustentava tudo isso aqui com a castanha, o couro de caça, a agricultura.Mudando de assunto, Fidélis diz nada tem contra rodovias, "mas elas trazem gente esquisita pró nosso meio". Sobre rodovia, Alesbão (um bom préto velho) diz: "Antes da instalação das estradas, festa de São Sebastião recebia mais gente. As pessoas vinham como podiam de pé, de barco, em lombos de animais e traziam macaco, papagaio, arara, periquito e até carne caça para a alimentação, durante os dia de festa."


- Quem não se lembra do Velho Camurim (foto ao lado), figura histórica cheia de histórias engraçadas e espalhafatosas, de piadas, enfim o grande Camurim sempre foi um dos personagens que a juventude sempre usou para fazer piadas. Antônio Bernardo, velho cearense que por muitos nos abasteceu Xapuri com carvão e secou tantas garrafas de pinga segundo os que o conheceram em um dos editoriais citados deu a sua opinião: “as enchentes, as chuvas nunca foram empecilho para atrapalhar a vinda do seringueiro; a Cidade, nesta época de festa”

Antes do terceiro personagem extraído dos editorias de O Rio Branco do ano de 1981 e que posteriormente se transformou numa publicação sobre a festa vejam que naquela época já havia uma certa falta de esperança em relação à economia Xapuriense senão vejamos parte daquela publicação:

POUCA ESPERANÇA
“Esses homens simples, mas capazes de compreender o que ocorre ao seu redor, afirmam não mais acreditar no soerguimento dos seringais. Esclarecem que as enor¬mes fazendas espalhadas Acre afora não permitem a volta da borracha, por mais que o governo se esforce.
"São de homens poderosos, que têm dinheiro", comple¬tam. Para os mais velhos só resta uma única alternativa: "ter fé e acreditar num mundo no¬vo, na libertação". "Se houver vontade, as coisas ainda podem voltar a ser como eram antes." E assim, a pobreza rápida a que essa gente foi submetida leva, às vezes, um homem do campo a fazer certos tipos de análises e que outras pessoas de locais mais "adiantados" sentem dificuldade de entender. É o resultado da estratificação social.
Vejam a terceira figura pelas letras de Josué Fernandes
“Dia 18 de janeiro, a convite de um amigo (o Pele), fui a uma boate e lá me apre¬sentaram uma figura de aspecto muito cordial: um mulato mediano, roupa pouco limpa e ginga de sambista, com quem travei o seguinte diálogo:
- Como é seu nome?
- Pirulito.
- O nome verdadeiro?
- Não é importante.
- Você é de onde?
- Do mundo.
- Tem família?
- Está toda aqui (apontou para as pessoas que dançavam).

O mulato que sentira o meu embaraço chegou-se e disse: "Eu sou de paz e gosto de dançar, brincar com as pessoas. Já tive tudo na vida, hoje..." Em seguida executou assobios imitando gorjeios de pássaros e já no final ocupou o centro do salão assobiando estridente, como que um árbitro que encerra uma aguerrida partida de futebol. Nos dias que se seguiram não foi mais possível ver o Pirulito. "O cidadão livre".

Xapuri é recheado desses personagens que inebriam o nosso imaginário e que muitas vezes capturados pela ótica mal intencionada de muitas pessoas que imaginam terem o domínio do conhecimento. Aprendi que para compreender a história de vida desses personagens é necessário antes de mais nada, se despir de conceitos pré-estabelecidos e aprender a conhecer o diferente o incompreensível.

No próximo artigo trataremos de uma entrevista do saudoso Guilherme Zaire no final da década de 70 sobre a festa, onde após a leitura me senti como se tivesse tido um aula sobre sociologia xapuriense.