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segunda-feira, 2 de junho de 2008

MMA PODE SE TRASNFORMAR EM MERO LICENCIADOR DE OBRAS

Ministério virou pasta de 2ª categoria. O Planalto queria reduzir o Ministério do Meio Ambiente a um órgão licenciador de obras. A síntese da crise que levou a ministra Marina Silva e alguns secretários foi feita ontem ao Estado por João Paulo Capobianco, ex-secretário-executivo do ministério e ministro interino até a posse, anteontem, de Carlos Minc. Capobianco diz que a questão ambiental nunca foi considerada importante pelo governo. E que a situação se agravou depois que as ações punitivas do ministério começaram a interferir na economia. Nesse momento, disse, todos passaram a defender que as funções do ministério deveriam ser "pequenas, de fiscalização e controle e licenciamento". No discurso de despedida do cargo, Capobianco surpreendeu pelo tom forte de críticas. Disse que o Ministério do Meio Ambiente foi tratado como órgão de segunda categoria e que, para salvar a agenda ambiental, a senadora Marina, ele e a equipe anterior pediram demissão.

Por que no seu discurso de despedida o senhor disse que o MMA era considerado de 2.ª categoria?

Porque o MMA não era mais capaz de oferecer opções e vantagens para o interesse nacional. Era como se tivéssemos um ministério que não era parte da solução. Esse é o dilema mais grave. A questão ambiental não era vista como um elemento de vantagem. Mesmo num momento de crise ambiental que o planeta vive, das mudanças climáticas, da crise da biodiversidade, da perda das florestas - e o mundo vive a questão ambiental numa intensidade jamais vivida -, o País que tem o maior ativo ambiental do planeta não considera esse ativo e a sua gestão como algo que pode contribuir para o desenvolvimento do País, ajudar nas soluções que o País procura corretamente. O MMA foi relegado às funções pequenas do ponto de vista de sua importância: licenciamento, fiscalização e controle.

A nomeação pelo presidente Lula do ministro Mangabeira Unger para gerir o Plano Amazônia Sustentável (PAS) reflete essa falta de importância do MMA?

Olha, essa questão não pode ser vista como pessoal. Nada tem a ver com a pessoa de Mangabeira. O que tem a ver é que o PAS tem por função orquestrar e coordenar um processo que viabilize o desenvolvimento sustentável de 60% do território brasileiro, da maior floresta tropical e biodiversidade biológica do planeta, da maior diversidade cultural do Brasil. E, na hora de você operar essa agenda, o Meio Ambiente não é visto como o ministério que pode fazê-lo. Na hora em que se constrói uma visão de integração entre o governo e essa biodiversidade cultural, o ministério não é mais visto como o que pode gerir isso. Essa questão, repito, não tem nada a ver com Mangabeira Unger, tem a ver com a visão do governo sobre qual é o papel do MMA. Nessa visão, é só para fiscalizar, criar unidade de fiscalização. Não é dialogar, no contexto do governo, na busca de soluções sobre o desenvolvimento sustentável, que dêem ao Brasil condições para explorar suas potencialidades.

A ex-ministra Marina Silva disse que o resultado da política ambiental no segundo mandato é "pífio". A situação se agravou no segundo mandato?

Vejo que nós avançamos na agenda ambiental, no começo era acomodada no governo, e em certo momento ela passou a ser estranha. Quando nós saímos do embate, do combate ao desmatamento pela fiscalização e passamos a agir com as alternativas ambientais, sociais e econômicas, isso passou a ser estranho no governo.

Quer dizer que quando a atuação do meio ambiente ameaçou atingir a economia, o governo mudou?

Acredito que chegamos a um momento muito especial a partir da divulgação daqueles dados sobre o desmatamento, em janeiro. Houve naquele momento uma visão pequena em relação ao ministério, ou que o ministério tem um papel restrito. Diria que o ministério foi submetido a um isolamento em relação aos grandes debates nacionais, soluções, às discussões com o próprio núcleo do governo. As participações do ministério se resumiam a reuniões onde havia demandas do próprio ministério e não reuniões onde o ministério demandava. Cada vez menos era possível obter uma reunião do centro do governo para tratar de um assunto levado pelo ministério. A partir de 2006, praticamente as reuniões eram determinadas por outros. O ministério ficou de fora da política industrial. Na biotecnologia, o ministério foi envolvido nos 45 minutos finais do jogo. Foi uma verdadeira guerra.

Quem sufocou o ministério? Uma pessoa, o conjunto do governo?

O que fica evidente é que essa visão do papel do ministério gradativamente se tornou hegemônica no governo, que o ministério não tinha um papel relevante dentro da política de desenvolvimento nacional. E olha que estamos lidando com um país em desenvolvimento. E qual é a questão número 1 do Brasil? Desenvolvimento com distribuição de renda, socialmente justo. Para nós havia mais um elemento: desenvolvimento econômico, socialmente justo e ambientalmente sustentável. Esse ambientalmente sustentável não faz parte da visão do conjunto do governo. Essa é uma visão secundária, mesmo que seja evidente que as conseqüências disso são a perda de mercado, o prejuízo econômico. Isso é sempre interpretado como artificialidade. Pegando o caso dos biocombustíveis. É evidente que não há elemento hoje - e tenho dito isso, participei de várias reuniões internacionais, pelo governo, e estando fora dele, vou continuar dizendo - que não há nenhuma justificativa da opinião pública internacional para condenar os biocombustíveis do Brasil em função da destruição da Amazônia. É um absurdo. O etanol, o mais importante, tem participação muito pequena na área agricultável do Brasil, menos de 1%, está em regiões altamente desenvolvidas, como São Paulo. Nas regiões onde ele está você tem ganhos ambientais, ele traz a modernização do campo, apoio à recuperação de áreas degradadas, melhorias ambientais. Então, é um absurdo dizer que o biocombustível é um elemento degradador hoje. Mas não há dúvida de que pode ser amanhã. Não há dúvida de que a expansão pode ser algo que gere problemas.

Isso não é uma vantagem a ser divulgada?

Uma coisa é você dizer: ?não quero que o biocombustível gere degradação ambiental porque eu não quero degradação ambiental?, ou dizer: ?infelizmente, nós não vamos ter degradação ambiental porque senão vai ter barreira de mercado?. A diferença é filosófica, de percepção. No caso do biocombustível, por exemplo, quando fomos discutir, em várias reuniões, no núcleo do governo - esse é um dado muito interessante - sempre que esse assunto vinha para a discussão, nós colocávamos que o MMA já tem um mapeamento detalhado das áreas sensíveis do ponto de vista ambiental e que esse mapeamento seria importante para orientar políticas de governo de desestímulo da expansão nessas áreas, estimulando a expansão em outras áreas. Isso sempre era visto como uma restrição. ?Não, mas isso é uma restrição. Você não pode impedir a expansão.? É uma visão de que a questão ambiental é quase uma artificialidade inventada por algumas pessoas que ocupam um ministério do governo. Então, quando essa situação é exposta como foi, com os dados do desmatamento em janeiro, e que isso gera um impacto, aí sim. Aquilo que é algo circunscrito e vira algo central, que traz para o centro do governo o problema, com repercussões enormes, nacionais e internacionais, a reação não é: ?Ih, temos um grave problema.? A reação é: ?Será que isso é grave mesmo?? É como se o sujeito que descobre que está com febre quebrasse o termômetro.

O presidente Lula disse que, ao divulgar os dados do desmatamento, o MMA pegou um nódulo e o transformou em câncer.

O presidente Lula é uma pessoa admirável, pela objetividade e capacidade de análise que possui. Os grandes resultados que obtivemos foram conquistas obtidas junto com o presidente. No caso daquela fala dele, ele estava correto do seu ponto de vista. Ele quis dizer que a faixa de desmatamento é medida em 12 meses. Portanto, temos 12 meses para tratar do assunto.

Quem é: João Paulo Capobianco

É ex-secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e ficou como ministro interino até a posse de Carlos Minc. Biólogo, fotógrafo e ambientalista especializado em Educação Ambiental pela Universidade de Brasília. Foi fundador e primeiro presidente da Associação em Defesa da Juréia e fundador da Fundação SOS Mata Atlântica.

Cesta básica sobe em maio em 14 das 16 capitais pesquisadas pelo Dieese

Em 14 das 16 capitais pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o preço da cesta básica teve alta no mês de maio.

Recife é a capital onde se registrou a maior alta, com 14,19% de aumento no preço dos produtos da cesta. Em seguida, vêm Natal (8,91%) e Florianópolis (7,61%).

Goiânia e Salvador foram as duas únicas cidades que apresentaram redução nos preços da cesta básica, com queda de 1,19% e 0,35% respectivamente.

As mais caras
De acordo com o Dieese, Porto Alegre tem a cesta básica mais cara do Brasil, vendida a R$ 236,58. Em segundo lugar vem São Paulo (R$ 233,92) e, em terceiro, Belo Horizonte (R$ 230,55). A capital mineira caiu duas posições no ranking das cidades com cesta básica mais cara; em abril, Belo Horizonte ocupava o primeiro lugar.

O Dieese encontrou em maio as cestas básicas mais baratas em Salvador (R$ 176,05), Aracaju (R$ 183,40) e João Pessoa (R$ 187,21). A diferença entre a cesta mais cara (Porto Alegre) e a mais barata (Salvador) é de R$ 60,53.


Salário mínimo
Com base nos valores apurados nas cidades, o Dieese também faz o cálculo do valor que seria necessário para o salário mínimo suprir itens como alimentação, moradia e saúde, entre outros.

Tomando por base a cesta básica mais cara, a de Porto Alegre, os pesquisadores chegaram ao valor de R$ 1.987,51 para o mínimo ideal. O montante representa 4,79 vezes o piso atual (R$ 415).


No quadrimestre
Em quase todas as cidades, o preço das cestas básicas cresceu no período entre janeiro e maio. Em Recife, nos primeiros quatro meses do ano, os produtos da cesta ficaram 26,52% mais caros. Em Fortaleza, a variação foi de 24,28%. A menor alta no quadrimestre foi detectada em Goiania (1,08%).


Em 12 meses
No período de 12 meses (de junho de 2007 a maio de 2008), a alta dos preços dos produtos da cesta básica superou 20%. No período, a maior alta foi detectata em Recife (46,55%), seguida de Fortaleza (40,78%). As menores variações foram encontradas em Porto Alegre (22,64%) e Goiânia (24,22%).


Produtos
Ao observar separadamente o comportamento dos preços dos itens da cesta básica, é verificado aumento no preço da maioria dos produtos em todas as capitais. Em relação a maio do ano passado, por exemplo, sete produtos tiveram alta.

Os aumentos generalizados, segundo o Dieese, são resultado de fatores climáticos, pressões do mercado internacional e da alta dos insumos como adubos e fertilizantes derivados do petróleo.

A carne teve alta em 15 capitais, com a maior elevação registrada em Florianópolis (9,92%). A única retração foi detectada em Brasília - uma baixa de 2,22%.

Com exceção do Rio de Janeiro, o preço do arroz também subiu em 15 capitais. A maior alta também é da capital catarinense, de 36,77%.

O pão ficou estável em Belém e caiu em Salvador. Em todas as outras 14 capitais pesquisadas, teve alta, das quais a maior em Porto Alegre, de 10,16%.

Justiça dá multa de R$ 21 mil por propaganda eleitoral no Orkut

Pré-candidato a vereador em Belo Horizonte teria pedido votos em site de relacionamento. Ele pode recorrer da sentença à corte do TRE de Minas.

A Justiça Eleitoral de Minas Gerais multou um homem por propaganda eleitoral antecipada no site de relacionamentos Orkut. Segundo informações do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do estado, ele deverá pagar R$ 21,2 mil, mas pode recorrer da setença à corte do tribunal. A decisão foi tomada no dia 30 de maio.

O Ministério Público Eleitoral acusou o pré-candidato de criar comunidades para divulgar sua candidatura e suas propostas. “Disputei eleição para deputado federal e fiquei com 1852 votos e agora vou tentar vereador em Belo Horizonte em 2008 e desde já peço que todos me ajudem. Vamos lá que a vida continua”, diz uma das frases encontradas no site, segundo o TRE.


Consulta
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deverá responder a uma consulta feita em outubro do ano passado pelo deputado federal José Fernando Aparecido de Oliveira (PV-MG) sobre a utilização de blogs, comunidades, salas de bate-papo e veiculação de vídeos na internet para divulgação de campanha.

Em parecer, a assessoria especial da presidência do TSE opinou pelo veto à propaganda feita pela internet antes do prazo. Segundo a assessoria do tribunal, o parecer diz que “o que não está previsto está proibido”.

Não há prazo para que o TSE dê a resposta à consulta do deputado. O ministro Ari Pargendler é o relator. A decisão final caberá ao plenário do tribunal.

A resolução da Justiça sobre as eleições deste ano fixa a data de 6 de julho para o início da propaganda eleitoral, incluindo aquela que for “realizada pela internet ou por outros meios eletrônicos de comunicação”.

O artigo 18 diz que “a propaganda eleitoral na internet somente será permitida na página do candidato destinada exclusivamente à campanha eleitoral”, mas não deixa claro se uma comunidade no Orkut, por exemplo, uma newsletter ou um vídeo postado no You Tube podem ser considerados divulgação pessoal.

Um Pitbull a Solta em Xapuri

Em entrevsita espcial ao Jornal Pagina 20, Raimundão abre o verbo contra Vanderley que se define na TV como um cão violento e ex-vereador adverte para a possibilidade de derramamento de sangue na campanha eleitoral

“Na campanha passada, eu era um vara-lata. Agora sou um pitbull. Se cuidem!”. A declaração, em tom de ameaça, foi feita na semana passada pelo prefeito de Xapuri, Wanderlei Viana (PPS), num programa de TV em que ele comenta as eleições passadas e se apresenta para a próxima campanha como candidato à reeleição. A expressão “vira-lata” seria referência ao fato de, na época, em 2004, ele não ter mandato. “Pitbull” é, portanto, a definição canina de um homem investido de poder e se preparando para uma nova campanha.

Num programa de TV clandestino no qual ele viola a grade de programação da TV retransmissora do SBT (Sistema Brasileiro de Televisão) em Xapuri, com olhos vermelhos, dentes rangendo e trejeitos nada recomendados a um governante eleito pelo voto popular, o prefeito vem demonstrando que está muito longe da sanidade mental. Ou de fato assimilou a personalidade da raça de cão a que se referiu.

O cão a cuja raça o prefeito xapuriense se comparou está associado à violência e a ataques cada vez mais freqüentes, incluindo seus donos. A agressividade da raça não é natural, defendem os criadores. Estaria associada à criação ruim e a um gene recessivo.

O tal gene, dizem os defensores da raça, pode atingir qualquer cão, independentemente de raça, mas que pode ser controlado a partir de criadores responsáveis, que devem estudar os cruzamentos e ter a consciência de não confiar exemplares a pessoas com perfil psicológico desviado.

O pitbull tinha reputação de cão leal e confiável durante as primeiras décadas do século passado. Nos últimos anos, contudo, essa imagem mudou. É considerado um animal extremamente violento, assassino de crianças e “merecedor” de banimento em alguns países. A raça é uma das quatro mencionadas especificamente na Lei de Cães Perigosos de 1991, no Reino Unido - as outras três são o fila brasileiro, o tosa japonês e o dog argentino.

Antes de se definir como cão, o prefeito xapuriense era conhecido pela alcunha de “Cotoco”, por ter desenvolvido, desde criança, a arte de ofender usando as mãos. Com o dedo-pilas, conhecido popularmente como o maior-de-todos, ereto e em forma de objeto fálico, o popular cotoco é uma ofensa porque, com a mão nessa posição, lembra um pênis humano em ereção. Embora antipático, o gesto se tornaria folclórico e o termo cotoco seria incorporado à identidade do prefeito. Contudo, depois que retornou ao cargo após amargar o ostracismo político por uma década - chegou a ser inclusive preso em flagrante pela polícia por uso e tráfico de entorpecente -, Wanderlei Viana agora usa as mãos para esmurrar adversários e até aliados.

A delegacia de polícia de Xapuri acumula mais de uma dezena de denúncias de pessoas que se dizem espancadas ou ameaçadas pelo prefeito, incluindo um de seus irmãos. É por isso que o ex-vereador Raimundo Mendes de Barros, o “Raimundão”, candidato petista derrotado na eleição vencida por Viana em 2004, está preocupado com a futura campanha eleitoral xapuriense.

Ele acha que o prefeito, em termos e violência, reúne os genes de cães perigosos, principalmente do pitbull, e a fúria própria tocada ao tóxico do qual ele é usuário.

“É o mínimo que a gente pode dizer um homem que age dessa forma. É só a Justiça requerer as fitas da TV de Xapuri para ver a violência com a qual ele age”, disse “Raimundão”, que está em Rio Branco em busca de providência contra o prefeito por entender que, se algumas medidas não forem adotadas, as eleições municipais xapurienses este ano podem ser uma tragédia, “inclusive com derramamento de sangue”.

Para “Raimundão”, o clima em Xapuri 20 anos depois do assassinato de Chico Mendes é praticamente o mesmo do período em que era tramado o assassinato do sindicalista - coincidência ou não, na mesma época em que Wanderlei Viana exerceu seu primeiro mandato como prefeito. É sobre o clima em Xapuri e o temor pelo derramamento de sangue que “Raimundão” fala na entrevista a seguir:

Você considera a declaração do prefeito de que é um pitbull uma ameaça?
Raimundão – Eu acho que é de fato uma ameaça e dirigida não só a mim, mas também a toda a população de Xapuri. É no mínimo estranho um administrador fazer uma declaração desse tipo num canal de televisão.

Quando e como foi feita essa declaração?
Raimundão – Ele disse isso na semana passada. Ele usa um canal de televisão, o SBT, no qual diariamente se apresenta, a pretexto de divulgar seu trabalho à frente da prefeitura, termina exagerando e partindo para xingamentos e agressões. É uma autêntica esculhambação em horário nobre, durante mais de meia hora. Nesse dia em que se definiu como pitbull, ele inicia sua fala agredindo os vereadores. Ele disse: “Eu quero avisar que vocês não ousem tentar me prejudicar. Do contrário, eu vou abrir meu baú e dizer o que cada um de vocês é. Estou avisando porque tenho bala na agulha. Se na campanha passada eu era um cão sardento, um vira-lata, eu estou avisando que agora sou um pitbull”. Foi isso o que ele disse. Eu entendo isso como uma ameaça porque, como a gente sabe, o pitbull é um animal feroz, capaz de matar o próprio dono.

Você, que concorreu e perdeu as eleições passadas para ele, se sente particularmente ameaçado pelo prefeito?
Raimundão – Não só eu como toda e qualquer pessoa de Xapuri que ousar questionar o prefeito e seus métodos. O prefeito não é um ser humano normal. Nos últimos dias, ele tem conseguido umas máquinas e está anunciando que vai construir ramais e abrir estradas. O homem passou os últimos três anos só brigando, agredindo as pessoas, dando cotoco, andando bêbado nas ruas. Agora, como é candidato à reeleição, conseguiu essas máquinas e vem entrando na Reserva Chico Mendes a pretexto de construir ramais. Se o ramal sair é bom para os companheiros que vivem lá. É uma necessidade que os companheiros do seringal Nazaré têm. O problema é que ele não respeita nada, nem a legislação ambiental nem as pessoas, faz tudo de forma truculenta, sempre dizendo que os ramais não foram feitos por culpa da gente, de nós do PT. O problema é que, como ele não vem respeitando as exigências do Ibama e da legislação ambiental, os ramais estão ameaçados de ser embargados e ele faz divulgar lá na reserva, através de um capacho conhecido por Motinha, que somos nós que estamos impedindo fazer os ramais. Coisa de gente irresponsável. É uma tentativa de incitamento dos companheiros contra a gente. Ele não quer abrir ramal.Quer, na verdade, é chamar a atenção do Ibama e colocar os companheiros contra a gente. Se o objetivo fosse o de atender as necessidades dos companheiros, ele tinha cuidado, nos três anos anteriores, de realmente trabalhar e fazer as coisas dentro da legalidade.

E esse negócio do espaço na televisão, onde ele fala diariamente, isso não é ilegal?
Raimundão – Nós entendemos que isso é ilegal e que nem a direção do SBT sabe que seu sinal em Xapuri está sendo interrompido para que o prefeito possa fazer política na TV. O que me preocupa é que a ilegalidade está ocorrendo todos os dias e ninguém toma providência. Quem é agredido é a população de Xapuri com aqueles gestos agressivos, aquela violência verbal, de descompostura, de palavras de baixo calão. Acho que esse tipo de coisa requer a observação do Ministério Público na comarca.

O fato de o prefeito ter esse comportamento e ninguém tomar providências não é porque há um pouco de respaldo da população em relação a ele?
Raimundão – A verdade é que a população deu um mandato a ele. Por ter sido eleito, talvez ele se sinta hoje no direito e fazer todos os tipos de agressões. É claro que em Xapuri há pessoas que recebem algo para ajudá-lo a agir assim; outras se omitem por medo.

Medo ?
Raimundão – Sim, medo! As agressões do prefeito realmente intimidam as pessoas. A prova disso é que em Xapuri não há greves ou manifestações contra o prefeito, mesmo a população tendo motivos de sobra para se manifestar. Ninguém se manifesta porque sabe que o prefeito vai, pessoalmente, sair no braço contra as lideranças, contra as pessoas que questionam sua administração. Ele já bateu no irmão em pleno gabinete, em radialistas, em professores, em funcionários públicos, em sindicalistas. Ele só consegue ter estabilidade na administração dele e o próprio trânsito livre na base do terror, da intimidação.

Mas, apesar disso, há informações de que, em pesquisas de opinião pública em relação às próximas eleições, ele é bem avaliado. Como explicar isso ?
Raimundão – Eu tenho dúvidas quanto à veracidade dessas pesquisas. É muito cedo para ]avaliar quem está melhor em relação às eleições. Sei que lá há muitos candidatos. O nosso, da Frente Popular, é o companheiro Bira. Tem o Marcinho, tem o Manuel Moraes e outros, e acho que essas pesquisas em que o prefeito aparece bem avaliado são feitas pela gente dele.

Quer dizer então que o clima em Xapuri agora é o mesmo daquele período da morte do Chico Mendes?
Raimundão – Não há diferença. Eu tenho dito que o clima em Xapuri só não está pior, o que é a nossa sorte hoje, é porque o prefeito não tem o governo do Estado do lado dele. Se o prefeito tivesse o governo do lado dele, que prestigiasse o comportamento dele e que lhe desse apoio, ele estava fazendo pior do que fez na época do Chico Mendes.Todo mundo é sabe que, naquela época, quando ele exercia seu primeiro mandato de prefeito, ele era um dos que travavam e com certeza tem envolvimento no assassinato do Chico.

Ele teve participação no crime? Qual seria sua participação?
Raimundão - A participação dele, conforme amplamente divulgado na época, consistia no apoio e no oferecimento da logística, inclusive da prefeitura, para apoiar as ações dos inimigos do Chico e de todos nós. Não é à toa que o carro da prefeitura - uma Pampa - era utilizado para o transporte das pessoas que atentavam contra os trabalhadores liderados pelo Chico. Ele era prefeito e fazia constantemente provocações ao Chico e era o aliado número um dos Alves [Darly e Alvarino Alves, irmãos acusados de articular o assassinato do sindicalista]. Tinha inclusive uma filha do Darly como sua secretária e fazia reuniões contra o Chico numa área que ele dizia ser dele, a colônia “Minha Deusa”, onde hoje está a fábrica de preservativos. Aquela região, aliás, foi invadida e grilada por ele. Pois bem. Naquela localidade, a morte do Chico foi tramada muitas vezes em reuniões da qual o prefeito participava. É por isso que eu digo: se ele tivesse hoje, como teve na época na pessoa do governador Flaviano Melo, o governo do lado dele, a situação estaria bem pior em Xapuri.

O senhor acha que ele partiria para a eliminação física ?
Raimundão – Eu não tenho nem dúvidas. Ele devota ódio mortal a gente e só não volta a partir para a eliminação física porque sabe que nós temos aliados fortes. Os atos dele dentro do seringal Nazaré contra a minha pessoa e contra o vereador Cicilio são prova disso. Ele quer os trabalhadores se levantando contra a gente.

O senhor teme por derramamento de sangue na campanha eleitoral?
Raimundão – Temo, sinceramente, porque conheço o prefeito de muitos anos e sei que ele é capaz de qualquer coisa para tentar se manter no poder. É um homem que não mede as conseqüências do seus atos e está desesperado. Por isso é perigoso.

Ele saiu ou foi expulso do PMDB, por onde foi eleito e que, apesar de suas contradições, não o suportou. Qual o partido que o abriga agora?
Raimundão – Quando deu para o PMDB expulsar o seu único prefeito de suas fileiras é porque a coisa não é de brincadeira. E o que me preocupa é que o PPS, que se diz um partido ético, dê guarida a um homem com esse perfil. É algo a ser avaliado pela população em relação aos demais candidatos dessa sigla.

O senhor acha que seria o caso de convocar tropas federais para cuidar da eleição em Xapuri?
Raimundão – Vamos estudar isso com nossos companheiros. A princípio, eu concordaria porque a situação em Xapuri é muito ruim. Só quem vive lá, quem vive a política lá, sabe do que estou falando, e é preciso que providências sejam tomadas É um alerta que estou fazendo.

Valores Familiares

Estive lendo um artigo na Revista Reads Digest intitulado de a estrutura da família perfeita, escrita por um desses Psicólogos Americanos, que nasceram em berços sociais familiriazados com a classe alta americana, que cresceu em um bairro desses clássicos de filmes holiwoodianos, deve ter estudado nos melhores estabelecimentos de ensino que o dólar possa pagar e hoje como profissional deve atender uma seleta carteira de clientes também da classe alta com crises existenciais no mínimo sem importância. Falo isso porque não consegui desvincular o modelo da família pregada pelo nobre psicólogo dos Simpsons, isso mesmo, pasmem a cada linha que eu lia mais eu me lembrava do estereotipo da família americana- Homer Simpson, Bart Simpson, Lisa Simpson, e Meague Simpson –Isso porque o autor do artigo repete enfaticamente que os erros e absurdos cometidos na convivência familiar realizam uma proximidade maior dos membros ao invés de retraí-los entre si.

Essa afirmação me tirou algumas horas de sono, porque refleti profundamente sobre muitas situações, sejam elas genericamente ou no seio intra-familiar vivenciadas por mim e sinceramente comecei a medir o absurdo da afirmação proferida pelo nobre psicólogo. É como se ele quisesse convencer de que famílias que possuem uma estrutura moral, ética, social e comportamental inadequada estaria mais consolidada para vivenciar a realidade atual do que uma família que baseia seus valores na educação de seus filhos, com carinho, exemplos cotidianos, diálogo, respeito mútuo e uma convivência pacifica, é como se ensejasse que a família simpson educa melhor seus filhos, expondo-os fartamente a realidade nua e crua e educando-os no seio familiar da forma que a vida fora dos laços familiares o educaria, do que a grande maioria dos pais e mães que perdem noites e noites de sono para se tomar a melhor decisão na educação de seus filhos.

Sinceramente achei medíocre a opinião do autor, primeiramente porque quando escrevemos acerca de algum fato que possa entrar em confronto com os moldes estabelecidos numa sociedade, no caso em ênfase uma cultura de estrutura familiar devemos ter cuidado, pois no mínimo devemos ser muito genéricos, flexíveis para não conflitarmos não com os padrões estabelecidos, mas com o diverso conhecimento acumulado por milhões de anos, não falo somente da raça humana não, até mesmo nos animais irracionais, não vejo agressividade com seus filhotes para educa-los melhor. Depois não tentem me convencer de que faculdade, mestrado, doutorado ou Pós doutorado ensinará ninguém a ser bom pai ou boa mãe se assim o fosse as pessoas marginalizadas do acesso educacional seriam péssimos pais.

Um ponto de extrema relevância para mim, foi o de observar o conceito retrógrado do autor em sempre usar como estrutura familiar o pai-mãe-filhos, coisa que numa sociedade globalizada como a nossa não podemos mais compactuar. Existem hoje milhares e milhares de casais separados, que por n motivos um dos membros resolve assumir os filhos formando uma família ou só com uma Mai ou só com um Pãe, já que um ou outro realiza as duas funções e seus filhos crescem sem nenhum trauma social ou psicológico. Não podemos também deixar de expor que muitos casais unidos por relações homoafetivas (homemxhomem, mulherxmulher) ou assumem seus filhos ou mesmo adotam crianças que se educadas num ambiente socialmente saudável se desenvolvem normalmente e em 92% dos casos não assumem postura homossexual, num índice muito inferior aqueles que provém de pais com relacionamentos normais para os padrões estabelecidos.

É evidente que a televisão a internet e a convivência social cada vez mais globalizada acaba por moldar os novos comportamentos da família moderna, porem seria hipocrisia de nossa parte abandonar os velhos e sábios conselhos daqueles que possuem experiência na área – nossos pais.

É valido também nessa altura citar dois conceitos matemáticos utilizados na física que cabem muito perfeitamente nesta situação:
- a menor distancia entre dois pontos é uma linha reta
- para cada ação existe uma reação

Significa dizer que não precisamos criar conceitos miraculosos, fantasiosos buscando a melhor forma de educar nossas crianças, basta ser franco, direto usando a boa medida do carinho, ouvi de uma grande amiga que temos que aprender a dizer não com a mesma medida do sim, já que até na escrita eles possuem a mesma quantidade de letras, para nossos filhos basta aprendermos dizer sim quando é possível e aprendermos a dizer não sem magoar.

Já está mais do que ultrapassado o conceito de educação pela dor e não falo somente dor física mas a psicológica que é num a amplitude mais devastadora para a formação de qualquer pessoa, ainda mais quando criança, então não esperemos que se tratarmos nossos filhos de forma absurda possamos receber carinho, pois teremos a mesma reação deles, já que são nada mais nada menos que um pedacinho de nós com as devidas atualizações genéticas.

É por tudo isso que devemos analisar profundamente não somente a nossa postura diante dos padrões sociais estabelecidos, mas como formadores de novos padrões principalmente no seio familiar.

Joscíres Ângelo
Artigo enviado como comentário para a Revista Reads Digest

Terça Conturbada


Hoje a Câmara Municipal de xapuri foi palco de protestos tanto por parte de Vereadores que segundo os mesmo estão engessados pela falta de resposta do prefeito às suas solicitações, e dos funcionários da educação Municipal que depois de não se contentarem com as explicações dadas pelos representantes do Povo, promoveram ato público em frente a Sede do Poder Legislativo, caminhando até a frente da Prefeitura Municipal pelo tratamento dispensado à categoria pela atual administração.

Segundo a professora Edna Barbosa, presidenta do Sinteac em Xapuri a categoria há mais de 3 anos não recebe reajuste salarial, mesmo que o PCCS- Plano de Cargos Carreira e Salários da categoria assegure anualmente o reajuste de acordo com as perdas e ajustes da economia, a classe vem enfrentando dificuldades em manter bons relacionamentos com atual administração, haja visto que a mesma se nega a sentar para negociar.

Os Vereadores se viram em maus lençóis para explicar o porque que neste ano aprovar6am um reajuste de 50% para o salário do prefeito e do vice, mesmo que por motivos justos já que o município ainda é o que paga o menor salário ao Chefe do Executivo, e não terem na mesma oportunidade articulado reajuste para os servidores municipais. Inconformados com a situação os funcionários municipais distribuíram panfletos com o seguinte questionamento:
(Leiam: 1- O prefeito de Xapuri, só vive de enganação. Promete e não cumpre, com sua palavra, não! 2- Foi na escola Rita Maia e armou mais uma enganação. Lambuzou a escola de tinta, pra dizer que é o bonzão. 3- Inaugurou o feito, com consultas e muita enganação. Até hoje não lembrou do reajuste da EDUCAÇÃO. 4- A Secretária de educação anterior disse: que dinheiro não era problema. Mas cadê esse dinheiro que não aparece, Não! 5- Será que o gato comeu? Ou vai virar caixa2 da reeleição. 6- Prefeito estamos de olho, na próxima eleição. 6- Quem ganha PODER e não usa para ajudar o TRABALHADOR, não merece nosso voto e nem a REELEIÇÃO. 7-CHEGA! De quem promete e não cumpre e só engana o CIDADÃO.

Durante a seção na plenária da casa podia ler os fartos cartazes ostentados pelos professores, onde entre muitos via-se claramente: 1- Senhor Prefeito: Três anos sem reajuste para os servidores da educação. Chega de não cumprir com a sua palavra. 2- Senhores Vereadores o povo precisa de proteção. Reajuste é a solução. 3- 50% para o Prefeito de reajuste. Vereadores para trabalhadores em educação. NADA. 4- os trabalhadores em educação paralisam por falta de compromisso do Prefeito com a categoria. 5- Prefeito, cadê o reajuste prometido? 6- Senhor Prefeito, precisamos de: Merenda de qualidade, Materiais didáticos, Concurso Público, Professores para Segunda e Terceira série, digitador para o Primeiro turno, Visita do secretário.

É pelo que percebi são mais do que justas as reivindicações e os cartazes e faixas falam por si só, agora só tem um probleminha que é a concessão do reajuste, que diante da Legislação Vigente não poderá ser concedido mais esse ano devido a proximidade do pleito eleitoral. Agora só restará a categoria utilizar de outros instrumentos para dar a devida resposta aos responsáveis por suas perdas salariais.

O restante da seção foi mais para justificar a postura diante das circunstancias e prorrogar para a próxima semana a apreciação do projeto que concede a doação do Prédio onde funcionava a antiga Prefeitura para o Estado.

O que deveras me interessou fora dois documentos em particular que já manifestei interesse em tomar conhecimento assim que se tornar acessível ao público, um trata-se da resposta tardia do Prefeito àquelas solicitações que os Vereadores da Bancada do PT fizeram no inicio do ano, onde alencaram uma série de possíveis irregularidades, percebi que pelo volume da resposta que pouquíssima coisa fora listada, porém só comentarei quando tiver acesso às informações contidas no documento e gostaria que levassem em consideração de que tenho conhecimento profundo da situação, então dependendo do conteúdo documental vou me posicionar fortemente. Outro documento interessante no meu ponto de vista fora requerimento aprovado que solicita do executivo Municipal, processo licitatório da empresa vencedora que assumiu a cerâmica municipal num procedimento de terceirização e no mesmo documento a solicitação de que seja disponibilizado ao Legislativo Municipal o Projeto e o Plano de Trabalho da rede de esgoto que está sendo construída no centro da cidade. Deviam pedir também o certame licitatório...

Agora é so esperar mais seis meses para a resposta ser dada...

segunda-feira, 26 de maio de 2008

AIDS: CONTAMINAÇÃO POR OMISSÃO

Levantamento feito com 272 casos de indivíduos que doaram sangue, apesar de estarem infectados com o vírus da Aids, aponta que 48,9% omitiram fatores de risco na triagem realizada antes da coleta

Por Thiago Romero

Agência FAPESP – Um levantamento feito com 272 casos de indivíduos que doaram sangue na Fundação Pró-Sangue, em São Paulo, apesar de estarem infectados com o vírus da Aids, apontou que 48,9% omitiram fatores de risco durante a triagem, o que poderia ter evitado a coleta.

O estudo foi feito por César de Almeida Neto, chefe do Departamento de Notificações e Orientação de Doadores com Sorologias Alteradas da fundação, e apresentado no início do ano como tese de doutorado na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Almeida Neto avaliou o perfil de doadores de sangue portadores do HIV entre 1999 e 2003, por meio de um estudo caso-controle, no qual 272 doadores de sangue confirmadamente positivos para a doença, a maioria do sexo masculino, foram comparados com um grupo controle de 468 doadores sem a doença. Os indivíduos foram entrevistados antes e depois da doação.

“A entrevista realizada antes da coleta de sangue tem o objetivo de identificar situações de risco que o indivíduo tenha vivido nos últimos meses, uma vez que os exames convencionais para a detecção do vírus da Aids podem não detectá-lo em um primeiro momento, devido ao período que chamamos de janela imunológica. No caso do HIV, a formação de anticorpos no organismo, que permite a detecção da doença, ocorre de quatro a oito semanas após a infecção”, disse o pesquisador à Agência FAPESP.

“Isso significa que se um indivíduo se contamina hoje, e daqui a uma semana vai doar sangue, a doença ainda não se manifestou e seu exame provavelmente dará negativo. Com isso, o sangue do doador pode ser liberado normalmente para uso por outros pacientes, mesmo que esteja com o vírus da Aids. A triagem antes da doação é realizada para identificar riscos potenciais nesse período de janela imunológica”, destacou.

Segundo Almeida Neto, uma mesma bolsa de sangue infectada, ao ser liberada para uso, pode contaminar vários pacientes, uma vez que o sangue normalmente é fracionado em componentes como hemácias, plasma e plaquetas, que podem ser utilizados em três pessoas diferentes, contaminando-as.

“Mesmo seguindo todos os procedimentos de segurança, ainda existe o que chamamos de risco residual. Em qualquer lugar do mundo o sangue é uma importante fonte de transmissão de doenças. Ao serem questionados antes da coleta, muitos indivíduos têm vergonha de assumir os fatores de riscos e negligenciam esse tipo de informação. Outra hipótese é que alguns deles usaram os serviços do banco de sangue para simplesmente fazer ou comprovar o teste do HIV”, disse.

“Calcula-se que, no Estado de São Paulo, o risco residual de infecção por Aids em períodos de janela imunológica seja de uma a cada 60 mil transfusões de sangue”, disseAlmeida Neto.

Para que isso não ocorra, o pesquisador explica que os interessados em fazer o exame do HIV devem procurar o Centro de Referência de Treinamento em Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Aids, e não os bancos de sangue.

Fatores de risco potenciais para a Aids, além de dados demográficos dos doadores, número de doações prévias, comportamento sexual e associação com os demais marcadores de triagem sorológica foram algumas informações coletadas nas entrevistas.

O estudo destacou, como fatores de risco para o HIV, entre os homens, as relações sexuais com outros homens, pagar ou receber dinheiro em troca do sexo e ter tido duas ou mais parceiras nos últimos 12 meses. As mulheres com parceiro sexual usuário de drogas injetáveis ou que tiveram dois ou mais parceiros nos últimos 12 meses foram as que apresentaram mais riscos.

Mais informações: www.crt.saude.sp.gov.br

Foto: Eduardo Cesar

Sargento transexual volta a receber salário de militar em MG

Militar havia sido licenciado das Forças Armadas por ser transexual.
Por meio de liminar, ele voltou a receber salário e assistência médica.

O sargento do Exército Fabiano Portela, de 26 anos, foi licenciado contra sua vontade das Forças Armadas por ser transexual, ganhou, nesta segunda-feira (26), na Justiça Federal, por meio de uma liminar, o direito de voltar a receber o salário de militar e ter assistência médica do Exército.

Em março deste ano, Portela fez uma cirurgia de mudança de sexo, o que provocou o seu afastamento das Forças Armadas. O militar procurou a Justiça para ser reformado, o que lhe permitiria manter o salário de terceiro sargento.

A ação se baseia no Código Internacional de Doenças e no Conselho Federal de Medicina, que tratam o transexualismo como transtorno mental. O advogado de Portela diz que o sargento não deve assumir seu posto porque está de licença médica. O Exército informou que só vai se pronunciar quando for notificado.

Amazônia brasileira tem dono, diz Lula

Na semana passada, NY Times perguntou: 'De quem é esta floresta amazônica?'.
Presidente também disse que protocolo de Kyoto 'já faliu', em referência aos EUA.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (26), durante o XX Fórum Nacional, na sede do BNDES, no Rio, que a Amazônia "tem dono".

Ao citar os biocombustíveis como grande alternativa para diminuir a poluição do planeta, Lula disse que achava "engraçado" que países responsáveis por 70% dos poluentes jogados na atmosfera estejam de olho na Amazônia, como se somente o Brasil fosse responsável por conter a degradação ambiental.

"O mundo precisa entender que a Amazônia brasileira tem dono. O dono da Amazônia é o povo brasileiro: são os os índios, os seringueiros, os pescadores. Mas também somos nós. Temos consciência de que é preciso diminuir o desmatamento, as queimadas. Mas também temos a consciência de que é preciso desenvolver a Amazônia", disse Lula.

Apesar de não ter citado o jornal norte-americano, a declaração de Lula também faz alusão à reportagem do New York Times, publicada na semana passada, em que o periódico pergunta: "De quem é esta floresta amazônica, afinal?".

No texto, o jornal diz que "um coro de líderes internacionais está declarando mais abertamente a Amazônia como parte de um patrimônio muito maior do que apenas das nações que dividem o seu território"

Durante o discurso no Rio, Lula procurou mostrar que a questão ambiental é um desafio global e afirmou que o Protocolo de Kyoto "já faliu". "Foi muito bonito assinar, maravilhoso, mas quem tinha que tomar medidas para cumpri-lo não referendou", disse Lula, em referência direta aos Estados Unidos.

Uma questão de honestidade

Esperto como sempre, Lula da Silva cismou e não quer mais nem ouvir falar em nova CPMF. Aliás, no fundo ele continua sonhando em aprovar a novo golpe contra o povo brasileiro, mas diante da reação da oposição, dos empresários e da sociedade de um modo geral, jogou a responsabilidade para sua base aliada no Congresso. O Palácio do Planalto não quer assumir a paternidade da proposta de recriação do novo imposto num ano eleitoral, nem mesmo para financiar a saúde. Em reunião com a coordenação política do governo, Lula afirmou que não enfrentará o desgaste de nova batalha com o Congresso para ressuscitar o imposto do cheque, extinto há cinco meses.

Apesar de ser alertado de que a Câmara vai aprovar a regulamentação da Emenda 29, aumentando os investimentos com a saúde em R$ 23 bilhões nos próximos quatro anos, Lula observou que cabe aos parlamentares apontar como custear as despesas. Um país que tem um presidente que trata investimento em saúde como despesas precisa, urgentemente, de mudanças. Na prática, aconteceu o que todo mundo já sabia: o planalto jogou para o Congresso a responsabilidade de encontrar fonte de recursos para financiar a saúde. Lula também se mostrou contrário ao aumento das alíquotas de cigarros e bebidas, pois avalia que isso poderia acabar punindo os mais pobres. Lula fuma e bebe demais. Ele sabe que o poder não é eterno, é efêmero.

Diante de centenas de prefeitos, num hotel de Brasília, em tom de desabafo, Lula afirmou que levará ministros da área econômica e senadores que votaram pela extinção da CPMF para a inauguração da primeira creche prevista pelo Plano de Desenvolvimento da Educação. Os senadores que votaram contra a prorrogação da CPMF terão a certeza de que é preciso mais dinheiro e que poderia ser feito com R$ 40 bilhões a mais por ano no Orçamento. Lula não perdoa o Senado por ter tirado de suas mãos a fortuna de R$ 40 bilhões, dinheiro que poderia financiar campanhas em vários estados e ainda garantir a implantação do mensalão II. Os recordes sobre recordes de arrecadação deixam claro que o governo não precisa da CPMF, afinal, o problema na saúde não é falta de dinheiro, mas de honestidade de seus gestores.